Programação do último dia reuniu empresas, especialistas e startups para apresentar resultados concretos em eficiência energética, descarbonização e visão computacional

Reduzir o consumo de energia, diminuir emissões, tornar processos mais produtivos e usar a tecnologia para enxergar oportunidades de melhoria dentro da fábrica. Esses desafios, cada vez mais presentes na agenda da indústria, estiveram no centro da programação do Senai Tecnologia e Inovação (STI) no último dia da Expo+Indústria, nesta quinta-feira (27), em Curitiba.

Ao longo da tarde, três painéis apresentaram experiências e soluções que mostram como a inovação pode sair do campo das ideias e se transformar em resultado concreto. A programação passou por eficiência energética e descarbonização industrial, avançou para as aplicações da visão computacional e terminou discutindo o papel dos ambientes de inovação no fortalecimento da indústria.

Eficiência energética que chega ao chão de fábrica

Abrindo a programação, o painel “Eficiência Energética e Descarbonização Industrial na prática” colocou em evidência uma questão que impacta diretamente a competitividade das empresas: como consumir menos energia e reduzir emissões sem deixar de produzir mais e melhor.

Um dos cases apresentados foi o da Metalkraft, que mantém uma parceria de longa data com o Senai em projetos voltados à eficiência energética. Segundo o especialista de processos da empresa, Atilio Talamini, a atuação conjunta já resultou em ganhos importantes.

“No Brasil Mais Produtivo, conseguimos resultados na faixa de 10% a 15%. No Potencialize, concluímos o relatório inicial e agora estamos buscando fomento para viabilizar um projeto com uma taxa interna de retorno superior a 32% e payback inferior a quatro anos.”

Além do retorno financeiro, a expectativa é ampliar os ganhos ambientais. “Esperamos ganhos expressivos na redução do consumo de energia e da pegada de carbono da Metalkraft”, destacou Talamini.

A importância de aproximar esse tipo de solução também dos pequenos negócios foi ressaltada por Suelen Suzuki, coordenadora estadual de Indústria do Sebrae Paraná. Durante o painel, ela apresentou experiências de uma microempresa e de uma empresa de médio porte e mostrou como mudanças na gestão e nos processos podem produzir impactos significativos.

“Precisamos aproveitar as oportunidades disponíveis para melhorar a gestão, aprimorar processos, ganhar produtividade, aumentar a eficiência energética e, consequentemente, tornar as empresas mais competitivas.”

Suelen também destacou a atuação conjunta entre Sebrae e Senai. Segundo ela, iniciativas como o Brasil Mais Produtivo, o Pró-Indústria e a Oficina do Futuro ampliam as possibilidades de apoio às empresas paranaenses.

“No fim das contas, é para isso que existimos, enquanto Sebrae e Senai: para apoiar as empresas na busca por mais competitividade e melhores resultados.”

Outro exemplo apresentado foi o da Arke Troféus. A empresa conseguiu reduzir em aproximadamente 28,5% o consumo de energia de uma estufa após uma intervenção que combinou lã de fibra cerâmica e um controlador de temperatura.

O resultado chama atenção também pelo baixo investimento: cerca de R$ 1 mil. De acordo com Carlos Diego Gomes, da Arke Troféus, a economia equivale a praticamente duas faturas de energia por ano. A mudança também deve representar uma redução de aproximadamente 0,11 tonelada de CO₂ nas emissões.

“Além da redução de 28,5% no consumo, essa melhoria representa uma economia equivalente a praticamente duas faturas de energia ao ano. E o melhor é que fizemos tudo isso com um investimento de cerca de R$ 1 mil.”

O case foi desenvolvido em parceria com o Senai por meio do Brasil Mais Produtivo, reforçando a ideia de que ganhos de eficiência podem começar com intervenções simples e investimentos relativamente baixos.

Quando a indústria passa a “enxergar” seus processos

Na sequência, o STI levou ao público o painel “Visão Computacional aplicada a processos industriais”, mostrando como câmeras, inteligência artificial e análise de dados podem ampliar a capacidade das empresas de compreender o que acontece nas estações de trabalho.

Um dos projetos apresentados foi desenvolvido em parceria com o Instituto Senai de Tecnologia da Informação e Comunicação pela Kinebot, empresa que utiliza visão computacional para avaliar condições de trabalho e identificar riscos ergonômicos.

Para Alisson Klein, ergonomista e fundador da Kinebot, a parceria com o Senai foi importante para aprimorar a solução e ampliar suas possibilidades de aplicação.

“A Kinebot nasceu com o objetivo de criar uma solução baseada em tecnologia e visão computacional para avaliar as condições de trabalho e identificar os riscos ergonômicos de cada atividade.”

A tecnologia também deu origem ao KineFlow, ferramenta que permite analisar os tempos operacionais e o que acontece na estação de trabalho. A partir das imagens, é possível identificar movimentos, deslocamentos, levantamento de peso e outras atividades realizadas pelo trabalhador.

O diferencial, segundo Klein, está em combinar duas dimensões que muitas vezes são analisadas separadamente: ergonomia e produtividade.

“Com isso, conseguimos integrar as avaliações de ergonomia às análises de produtividade, gerando um diagnóstico mais completo da estação de trabalho.”

A proposta é usar os dados para identificar oportunidades de melhoria e contribuir para uma operação mais eficiente, sem perder de vista as condições de trabalho.

Startup leva visão computacional para a produtividade

O painel também contou com Brahim José Málaque Neto, CEO e fundador da QualityStorm, que apresentou a trajetória da startup e o desenvolvimento de sua solução em parceria com o Senai.

A tecnologia utiliza visão computacional para apoiar a produtividade industrial e foi desenvolvida e aprimorada com a participação do ecossistema de inovação do Senai.

“Foi muito bacana poder apresentar um pouco da nossa trajetória e da parceria com o Senai na construção e no desenvolvimento do QualityStorm.”

Para Brahim, a parceria teve papel importante na evolução da solução e na ampliação de suas aplicações industriais.

“A nossa solução utiliza visão computacional para levar mais produtividade para a indústria, e essa parceria foi fundamental para avançarmos nesse desenvolvimento e ampliarmos as aplicações da tecnologia.”

O momento também foi de celebração para a startup. No dia anterior, a QualityStorm havia sido selecionada como melhor startup em produtividade industrial no Startup Summit, reconhecimento que, segundo o empreendedor, está diretamente ligado ao trabalho desenvolvido pela equipe e às parcerias construídas ao longo da trajetória.

“Esse reconhecimento é resultado de muito trabalho e também dessa parceria com o Senai, que tem sido muito importante para transformar a tecnologia em soluções que geram impacto real na indústria.”

Ambientes que conectam ideias, tecnologia e indústria

Encerrando a programação do Senai Tecnologia e Inovação na Expo+Indústria, o painel “Parque Tecnológico da Indústria – Como os Ambientes de Inovação impulsionam a indústria” colocou em discussão justamente a conexão necessária para que soluções como as apresentadas ao longo da tarde possam avançar.

O debate mostrou que inovação não acontece de forma isolada. Empresas, startups, instituições de pesquisa e ambientes especializados precisam estar conectados para transformar desafios reais da indústria em projetos, tecnologias e novos negócios.

Com isso, o último painel do STI sintetizou uma das principais mensagens da programação: a inovação ganha força quando encontra um ecossistema preparado para aproximar conhecimento, tecnologia e as necessidades concretas das empresas.

Ao longo do último dia da Expo+Indústria, os painéis do STI mostraram que essa transformação já está acontecendo no Paraná — seja na redução de uma conta de energia, na diminuição das emissões, na análise inteligente de uma estação de trabalho ou no desenvolvimento de tecnologias capazes de tornar a indústria mais produtiva.

 

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