Conheça Kaique William Ventura Camacho, competidor do Senai Paraná que vai representar o Brasil na WorldSkills Xangai 2026
Existe uma luz que só existe porque a eletricidade e a ótica decidiram trabalhar juntas, o fóton que vira sinal, o sinal que vira controle, o controle que vira automação. É exatamente nesse cruzamento que Kaique William Ventura Camacho constrói sua carreira. E é também, de certa maneira, a metáfora mais precisa para a sua própria história: uma luz que já estava acesa muito antes de ele chegar.
Kaique é de Campo Mourão, fez o curso Técnico em Eletrotécnica no Senai Paraná e disputa a ocupação #60 – Tecnologia Optoeletrônica da WorldSkills. Nesta quinta-feira (17), ele embarca para Xangai, na China, para representar o Brasil na 48ª edição da WorldSkills Internacional, a maior competição de profissões técnicas do mundo.
Luz, eletrônica e automação
“É uma tecnologia que está emergindo”, explica Kaique sobre a própria ocupação. “Uma tecnologia que mescla a parte ótica (luz e fótons) e a elétrica, mais voltada pra eletrônica.” Na prática, isso se desdobra em dois tipos de aplicação diferentes: de um lado, a automação residencial, com sistemas que deixam ambientes mais inteligentes, com melhor controle de consumo de energia, economia e sustentabilidade, “muito visado na indústria”, e de outro, a parte visual e chamativa da tecnologia, presente em painéis de LED, telas usadas em marketing, fachadas de lojas e mangueiras de LED.
O curso técnico que sustenta esse repertório é, segundo ele, propositalmente amplo. “O curso técnico em eletrotécnica é muito abrangente. Pega várias áreas da elétrica em si: um pouco de eletrônica, um pouco de elétrica residencial, um pouco de elétrica industrial, um pouquinho de automação.” Uma base larga o bastante para se especializar depois em qualquer direção, inclusive em uma tecnologia que, na época em que ele entrou no curso, mal tinha nome no Brasil.
Do chão de fábrica para o pódio
O interesse de Kaique por automação não nasceu dentro de uma sala de aula, mas de uma rotina de trabalho. Ele passou a atuar na empresa do seu pai, focada em equipamentos para a área de alimentos, na parte de elétrica, eletrônica e automação dos equipamentos. “Foi lá que eu descobri realmente a minha paixão por automação”, conta.
Antes de chegar à Optoeletrônica, ele havia disputado a etapa estadual na ocupação #19 – Controle Industrial. A rotina, nessa época, era pesada: trabalhava pela manhã, treinava à tarde para a WorldSkills e cursava a faculdade de Engenharia Eletrônica à noite. “Foi um tempo muito, muito difícil”, resume. Quando a nova modalidade surgiu, o caminho mudou e, na ocasião da etapa nacional, ele precisou fazer uma escolha: “quando fui pro nacional, foquei só no treinamento e parei de trabalhar na empresa do meu pai.” Recentemente, com a proximidade da competição mundial, ele também deu uma pausa na graduação para se dedicar exclusivamente para o treinamento.
O investimento deu resultado: medalha de prata na etapa nacional da WorldSkills Brasil 2025, na ocupação Tecnologia Optoeletrônica, disputada pela primeira vez no país. Meses depois, quando o medalhista de ouro comunicou que não poderia seguir para a etapa mundial, foi Kaique quem assumiu a vaga do Brasil rumo a Xangai.
Uma luz que vem de família
Se existe um fio que conecta essa história a algo maior do que a própria competição, ele está na família de Kaique. “Minha história com o Senai começou antes mesmo de eu nascer”, diz.
Seu avô, Tede William Gomes Camacho, deu aula no Senai e foi gerente de várias unidades do Senai, entre elas, a de Campo Mourão. Depois, o pai de Kaique, Eder William Costa Camacho, foi técnico de ensino e, mais adiante, assumiu a gerência daquela unidade, a mesma onde Kaique estudaria anos depois. Um tio também chegou a lecionar por ali. “Sou a terceira geração da minha família no Senai”, resume Kaique. “Senai tá na veia desde que eu nasci. Quando meu pai assumiu a gerência em Campo Mourão, eu ficava lá com ele várias vezes. Meus professores me conhecem desde piazinho.”
É diante desse pano de fundo que ele descreve o que sente ao competir. “É muito louco. Porque eu nunca pensei que poderia chegar nesse nível. Mas sempre batalhei para isso. É muito bom ver essas conquistas que o time de Campo Mourão conseguiu ter comigo”, diz, mencionando o apoio do seu treinador, Anderson Graciano de Oliveira, e da própria escola. “É uma conquista não só para mim, mas para eles também.”
O que a WorldSkills muda em quem participa
Para Kaique, a experiência vai muito além da medalha. “A WorldSkills não é apenas uma competição. Ela muda o jeito como você pensa e o jeito que você age enquanto você trabalha. Te deixa mais ágil e faz você pensar de maneira mais lógica. Mudou muito a forma como eu trabalho”.
Sobre unir formação técnica e ensino superior, ele não tem dúvida do valor de começar cedo: “faz total diferença você fazer um curso técnico. Eu vejo que muitas pessoas que saem do ensino médio comum, sem nenhum tipo de contato com a área técnica, ainda têm que aprender do zero o que eu já sabia. Você já sai um pouco na frente.”
Reta final rumo a Xangai
Antes de viajar com destino à China o treino foi intenso. “Estou muito confiante: os treinamentos são intensivos, aprendendo muita coisa nova, alinhando técnicas e processos pra melhorar cada vez mais o nível de qualidade”, contou Kaique. Segundo ele, a Tecnologia Optoeletrônica ainda está se consolidando como ocupação oficial da WorldSkills Internacional. “A expectativa é enorme. Para mim é um sonho estar aqui, passando por todos esses ciclos.”
Kaique não vai sozinho. Ele integra o grupo de cinco competidores do Paraná que vão defender o Brasil na WorldSkills Xangai 2026, ao lado de Davi da Silva Aleixo Ignacio (Construção em Alvenaria), Erán Martínez Ramos (Design de Mídias Digitais Interativas), Gabriel Henrique Gobato de Oliveira (Computação em Nuvem) e Kauan Henrique Martinello Nazario (Tecnologia Automotiva).



