Finep, UFPR, Itaipu, Actioil, Bosch, Eletron palestram na Conferência promovida pela Fiep e organizada pela Rede Paraná Tecnologia e Metrologia

Acontece em Curitiba, nos dias 22 e 23 de setembro, no Campus da Indústria do Sistema Fiep, a Smart Energy 2026 – Conferência Internacional de Energias Inteligentes. O encontro promove a participação da academia, da iniciativa privada e de organizações governamentais. Entre os destaques deste ano estão formas de financiamento para o setor, mobilidade e novos combustíveis. Os temas serão o foco do segundo dia da conferência.

O painel Diálogos traz o tema “Biometano na Rede de Gás Canalizado: Avanços Regulatórios e Desafios para a Distribuição”, e discutirá os principais avanços regulatórios, técnicos e de mercado necessários para ampliar o uso de biometano nas redes de distribuição de gás canalizado.

“Essa discussão é fundamental para transformar o potencial de produção em mercado real, ampliando o acesso ao biometano, que é uma fonte renovável e competitiva. O avanço regulatório e da infraestrutura são essenciais para dar escala aos investimentos e acelerar a descarbonização no estado e no país”, afirma Thiago Olinda, coordenador de Biocombustíveis, Gás Natural e Hidrogênio Renovável da Supen – Superintendência-Geral de Gestão Energética do Paraná, que será o moderador da sessão. Estarão com ele os painelistas Alexandre Camacho, da ANP; Rejane Maria Schirr Scolari, da Agepar; e Eudis Furtado, da Compagas.

Eficiência energética e mobilidade

Às 14h, acontece a sessão Diálogo, com o tema “Eficiência Energética e Mobilidade: da Combustão à Eletrificação”, com a participação do engenheiro Christian Michael Wahnfried, especialista em Requisitos, Combustíveis e Emissões da Bosch; Gilles-Laurent Grimberg, CEO da Actioil do Brasil e CTO da Actioil Internacional; e do professor da Universidade Federal do Paraná e do Tecpar, Luiz Ramos.

Mediador da sessão, o professor Luiz Ramos explica que a discussão abordará a eficiência energética relacionada à mobilidade – desde motores a combustão até a eletrificação. “Essa transformação da mobilidade não depende apenas do motor, mas de todo o ecossistema energético. Nossa discussão buscará trazer uma visão mais sistêmica dos caminhos a serem seguidos”, explica o professor.

Entusiasta do setor, Gilles-Laurent avalia que a indústria automotiva, os sistemistas e a indústria de combustíveis têm evoluído para melhor aproveitar a energia disponível. Segundo ele, há avanços significativos em motores a combustão, sistemas de injeção, gerenciamento térmico, redução de atrito, eletrônica e recuperação de energia, que servem, inclusive, para a transição por modelos híbridos, elétricos, biocombustíveis e outras tendências da mobilidade.

Laurent reforça que os combustíveis têm acompanhado as novas tecnologias e que contribuem sobremaneira para a eficiência dos motores. Porém, ele observa: “A proposta não é colocar combustão, híbridos e elétricos como tecnologias concorrentes. A intenção é mostrar onde cada solução faz sentido e, principalmente, analisar o caminho da energia: da fonte até aquilo que efetivamente chega às rodas”.

Contudo, ele considera que esse avanço deve ser feito com atenção às questões relacionadas à “descarbonização e emissões locais e emissões ao longo do ciclo energético”. A Actioil atua no tratamento de combustíveis da transição energética e agrega valor aos equipamentos ao prevenir impurezas decorrentes de armazenagem inadequada ou degradação natural, promovendo eficiência e redução de custos operacionais para empresas de todos os portes.

O terceiro painelista é Christian Michael Wahnfried, engenheiro mecânico da Bosch, especializado no setor automobilístico, especialmente em requisitos, combustíveis e emissões, que abordará as estratégias para descarbonização do setor automotivo. Wahnfried coordenou comissões técnicas sobre o uso de diesel e biodiesel por mais de uma década e trará sua experiência para apontar caminhos para associar a transição energética à redução do impacto ambiental.

Fomento

Na sequência, ocorrerá o painel “Fomento à Transição Energética e à Inovação de Baixo Carbono”, que terá a participação de Paulo Resende, da gestão da Finep; Expedito Parente, da Nexbio; e Rogério Meneghetti, superintendente de Energias Renováveis da Itaipu.

A Finep, agência de fomento ao desenvolvimento científico e tecnológico que atua em todas as etapas do ciclo da inovação no Brasil, apresentará suas linhas de crédito. “Tanto o financiamento direto quanto o crédito são importantes. Por isso, temos o crédito reembolsável, com taxas subsidiadas para implantações de projetos que pretendem alcançar uma tecnologia mais madura, inclusive implantação pioneira. Regularmente, também fazemos as chamadas de subvenção econômica voltadas para transição energética. E, nos últimos anos, tivemos as chamadas Inovações Radicais para o Setor Elétrico e Bioeconomia. Nesse ano de 2026, tivemos uma chamada para Mais Inovação Brasil e Transição Energética”, detalha o gestor da Finep, Paulo Resende.

O executivo destaca que, para a região Sul, a Finep tem parceria com o BRDE, com a Fomento Paraná, entre outras agências. “Essas linhas são voltadas para o empresário que já tem uma forma estruturada, um pensamento assertivo sobre o investimento que ele pretende fazer para a transição energética”, explica. Além disso, a Finep tem um fundo de investimento e participação, o FIP, voltado para a área de descarbonização e transição energética.

O superintendente de Energias Renováveis de Itaipu, Rogério Meneghetti, abordará o incentivo às iniciativas de baixo carbono. “A Itaipu tem investido no desenvolvimento de tecnologias para a produção de biocombustíveis por meio da sua fundação tecnológica, o Itaipu Parquetec, e de outras instituições de pesquisa, como o CIBiogás. Contamos com uma planta-piloto de biogás e biometano, assim como de hidrogênio de baixo carbono”, conta.

Por meio do programa Itaipu Mais que Energia e do Itaipu Parquetec, a Itaipu financia a instalação de biodigestores para a agricultura familiar e cooperativas, além de funcionar como um laboratório vivo (sandbox) para startups testarem tecnologias limpas. A Itaipu também purifica resíduos orgânicos e dejetos da suinocultura regional. O biometano gerado é usado para abastecer a frota de veículos da usina e centrais elétricas descentralizadas no Paraná.

Há também pesquisas e iniciativas relacionadas à produção de hidrogênio verde (H₂V) e SAF. O hidrogênio é combinado com o carbono do biogás para criar o bio-syncrude (petróleo sintético), utilizado na produção de Combustível Sustentável de Aviação (SAF). A Itaipu também pesquisa o armazenamento de hidrogênio em estado sólido e embarcações movidas a H₂V.

Conferência e Fórum

Promovida pela Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) e organizada pela Rede Paraná Tecnologia e Metrologia, a Conferência Internacional de Energias Inteligentes reúne especialistas, representantes do setor produtivo, pesquisadores, universidades e gestores públicos para discutir os avanços, desafios e perspectivas da energia no país.

Paralelamente à programação da conferência, ocorrem a Feira Temática e o Fórum de Eficiência Energética. A programação conta com palestras técnicas, cases e momentos de networking, com discussões sobre o panorama da eficiência energética. O Fórum conta com o incentivo da Eletron Energia.

As inscrições estão abertas e restam poucas vagas. Mais informações pelo site da Conferência Smart Energy: smartenergy.org.br ou pelo telefone (41) 3362-6622.

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