Capacidade das empresas de ajustar seus sistemas e integrar informações será determinante para enfrentar desafios do período de transição nos próximos anos
A Reforma Tributária exigirá das empresas muito mais do que o entendimento de novos conceitos e regras fiscais. A transição para o novo modelo também demandará mudanças operacionais que terão a tecnologia como uma das principais aliadas para garantir conformidade, eficiência e segurança nos processos. Embora grande parte do debate sobre a reforma esteja concentrada nos aspectos jurídicos e tributários, especialistas destacam que a capacidade das empresas de adaptar seus sistemas e integrar informações será determinante para enfrentar os desafios dos próximos anos.
A implementação gradual da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) criará um período de convivência entre dois regimes tributários, exigindo controles simultâneos e maior capacidade de processamento de informações. Nesse cenário, sistemas de gestão, plataformas fiscais e ferramentas de integração de dados ganharão papel estratégico.
Adaptação já começou
Mesmo antes da cobrança efetiva dos novos tributos, a preparação tecnológica já está em andamento. Desde janeiro de 2026, as empresas passaram a emitir documentos fiscais eletrônicos com destaque da CBS e do IBS, uma medida que busca preparar contribuintes e sistemas para a nova realidade tributária. Embora as multas tenham sido suspensas nessa fase inicial, a adequação dos sistemas deixou de ser uma preocupação futura e passou a integrar a rotina das organizações.
A recomendação de especialistas é que as empresas não aguardem a proximidade dos prazos finais para promover ajustes. Uma cartilha especial sobre a Reforma Tributária elaborada pela Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), por meio de seu Conselho Temático de Assuntos Tributários, orienta que a adaptação dos sistemas de gestão e dos fluxos fiscais seja antecipada, permitindo que as equipes se familiarizem gradualmente com as novas regras e reduzam riscos operacionais durante a transição.
Dados mais precisos e integrados
Outra mudança relevante está relacionada à tributação no destino. No novo modelo, o local onde ocorre o consumo do bem ou serviço passa a ter papel central na definição da arrecadação dos tributos. Na prática, isso exigirá informações cadastrais mais precisas e integração entre áreas que muitas vezes operam de forma independente dentro das empresas.
Dados incorretos sobre endereços de entrega, estabelecimentos ou operações poderão resultar em recolhimentos indevidos de IBS e CBS, além de potenciais questionamentos futuros pelos órgãos de fiscalização. Por isso, a tecnologia será fundamental para garantir consistência das informações, automatizar validações e reduzir erros em processos que hoje ainda dependem de controles manuais.
Integração entre áreas será indispensável
A transformação tecnológica não deve ser vista apenas como uma responsabilidade da área de TI. As peculiaridades da reforma ampliam a necessidade de integração entre diferentes setores das empresas, como fiscal, contábil, jurídico, financeiro e de tecnologia.
O coordenador do Conselho Temático de Assuntos Tributários da Fiep, Guilherme Hakme, destaca que a implementação da reforma deve envolver toda a companhia e exige atuação coordenada entre essas diferentes áreas. “Caso cada área trate os impactos de forma isolada, as empresas provavelmente enfrentarão dificuldades significativas, especialmente durante o período de transição, que se estende de 2027 a 2032”, afirma. Nesse contexto, ferramentas de gestão integrada, automação de processos e análise de dados tornam-se importantes instrumentos para apoiar a tomada de decisão e garantir maior previsibilidade.
Informação e preparação
Para ajudar as indústrias a compreender as principais mudanças trazidas pela Reforma Tributária, a cartilha especial produzida pelo Conselho Temático de Assuntos Tributários da Fiep explica, de forma clara e prática, os novos tributos sobre o consumo. O material também destaca pontos que impactam diretamente a atividade produtiva.
A Fiep disponibiliza ainda as gravações de um webinar e um curso completo sobre a reforma, em que especialistas detalham as regras gerais e princípios orientadores, além de regimes gerais, diferenciados e específicos do novo sistema de tributação sobre o consumo do país.
Todos esses conteúdos podem ser acessados gratuitamente clicando aqui.
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