Com 389 mil eletrificados emplacados apenas nos nove primeiros meses de 2026, mercado de reparação começa a se preparar para uma frota que exige novos conhecimentos e processos

A transformação da mobilidade brasileira já chegou às oficinas mecânicas. O país ultrapassou a marca de 1 milhão de veículos eletrificados em circulação, impulsionado por um crescimento que ganhou velocidade especialmente nos últimos anos. Somente entre janeiro e setembro de 2026, foram 389.304 veículos eletrificados emplacados, volume praticamente equivalente às 398 mil unidades acumuladas entre 2012 e 2024, segundo dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE).

Para dimensionar a mudança, em 2012, primeiro ano da série histórica da entidade, foram registrados apenas 117 veículos eletrificados. Em 2024, o número chegou a 177.358 unidades e, em 2025, alcançou 223.912. Agora, em apenas nove meses de 2026, o mercado já acrescentou quase 390 mil veículos à frota nacional.

A expansão também se reflete no Paraná. Os veículos leves eletrificados já representam 11,19% do market share de vendas no Estado. Curitiba concentra 44,78% dos emplacamentos, seguida por Londrina (8,14%), Maringá (7,65%) e São José dos Pinhais (4,64%).

Por trás dos números, uma mudança importante começa a chegar ao mercado de pós-venda: quem vai cuidar dessa frota quando esses veículos precisarem de manutenção?

É nesse cenário que surge o Programa Oficina do Futuro, consultoria especializada desenvolvida pelo Sistema Fiep, por meio do Instituto Senai de Tecnologia e Produtividade, em parceria com o Sebrae-PR. A iniciativa orienta oficinas mecânicas e elétricas do Paraná sobre os conhecimentos, processos, equipamentos e adequações necessários para acompanhar a evolução dos veículos elétricos e híbridos.

Uma nova tecnologia exige uma nova oficina

A manutenção de um veículo eletrificado não representa apenas uma mudança de ferramentas. Ela envolve novos procedimentos, conhecimentos técnicos e, principalmente, protocolos rigorosos de segurança.

Sistemas de alta tensão, baterias de íon de lítio e componentes de eletrônica de potência fazem com que determinadas intervenções exijam preparação específica. Cabos que podem conduzir tensões superiores a 380 volts tornam inadequados procedimentos improvisados e demandam equipamentos de proteção, áreas de trabalho apropriadas e profissionais preparados.

Para Ivan Aécio Bernardo Martins, coordenador de Otimização de Manufatura e Eficiência Energética do Senai Tecnologia e Inovação do Paraná, a preparação precisa acompanhar o ritmo de crescimento da frota.

“A eletrificação da frota é um caminho sem volta no Brasil, mas a transição para as oficinas não pode ser feita na base do improviso. Atender um veículo elétrico exige muito mais do que ferramentas específicas; exige processos mapeados, adequação rigorosa de infraestrutura e uma cultura inegociável de segurança em alta tensão.”

Segundo ele, o objetivo é ajudar o empresário a tomar decisões de forma planejada. “A ideia é que ele saiba exatamente onde, quando e quanto investir, reduzindo custos desnecessários e garantindo que sua equipe trabalhe protegida e pronta para extrair a máxima rentabilidade dessa nova frota”, explica.

Preparação por etapas

Em vez de propor que as oficinas façam grandes investimentos imediatamente, o Oficina do Futuro estabelece uma trajetória de evolução de acordo com a capacidade e o objetivo de cada negócio.

A consultoria é estruturada em oito encontros, presenciais e remotos, e considera o universo de mais de 4.500 empresas de reparação mecânica e elétrica aptas no Paraná.

O primeiro estágio de atuação é voltado aos serviços básicos, como inspeções visuais, suspensão, freios e pneus, sem intervenção direta nos componentes de alta tensão. No segundo nível, a oficina passa a estar preparada para diagnóstico e manutenção técnica, incluindo procedimentos de desenergização segura, testes de isolamento e reparos em módulos de baixa tensão.

Já o terceiro nível contempla intervenções avançadas, com atuação em componentes como bateria de tração e inversores. Nesse caso, são necessárias instalações adequadas, segregação de áreas e níveis mais elevados de proteção.

Além desses níveis de atendimento, o programa avalia a maturidade da empresa em uma escala que vai do Nível 0, quando ainda não está enquadrada para esse tipo de atendimento, ao Nível 4, denominado EV Ready.

A avaliação considera aspectos como infraestrutura elétrica, equipamentos, capacidade técnica da equipe e procedimentos de segurança. Ao final, a empresa recebe um plano de ação estruturado na metodologia 5W2H, com indicação de prioridades, investimentos, prazos e adequações necessárias.

Oportunidade para o mercado independente

A expansão dos eletrificados também representa uma oportunidade para as oficinas independentes. Parte dos primeiros veículos elétricos e híbridos vendidos no país entre 2020 e 2021 começa a se aproximar do fim dos períodos de garantia. Com isso, a tendência é de ampliação gradual da procura por serviços fora das redes autorizadas.

Para as oficinas, estar preparado antes que essa demanda se consolide pode significar a possibilidade de conquistar novos clientes e ocupar espaço em um mercado que ainda está em formação.

“Não se trata apenas de acompanhar uma tendência tecnológica. Trata-se de preparar o negócio para uma transformação que já está acontecendo na rua. A oficina que começa a entender esse movimento agora terá melhores condições de definir seu posicionamento e investir de forma mais assertiva”, destaca Ivan.

Para facilitar o acesso dos pequenos negócios à preparação tecnológica, o Sebrae-PR subsidia 50% do valor da consultoria. O investimento, de R$ 9.120,00, fica em R$ 4.560,00 para as empresas participantes, com possibilidade de pagamento parcelado no cartão de crédito ou boleto.

A iniciativa tem como meta atender 55 oficinas nas regionais de Curitiba, Região Metropolitana, Noroeste, Campos Gerais, Oeste, Norte e Sudoeste até 2027.

Com a frota eletrificada crescendo em ritmo acelerado, a questão já não é mais se esses veículos chegarão às oficinas independentes, mas quando e quais empresas estarão prontas para recebê-los.

As oficinas interessadas em se antecipar a essa transformação devem garantir a participação no Programa Oficina do Futuro. As vagas são limitadas e a oportunidade de receber a consultoria com 50% de subsídio é destinada às empresas participantes. As inscrições estão abertas e devem ser realizadas o quanto antes.

Clique aqui e garanta a sua.

Compartilhe: