Alexandre Tortato, consultor do Conselho Temático de Assuntos Tributários da Fiep, destaca os principais pontos aos quais as empresas precisam estar atentas durante período de transição
A Reforma Tributária será implementada de forma gradual, em um período que se estende até o fim de 2032. Durante essa transição, empresas de todos os portes precisarão conviver simultaneamente com o modelo atual de tributação – com impostos estaduais, como o ICMS, e municipais, como o ISS – e os novos tributos criados pela reforma – a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e o Imposto Seletivo (IS).
Essa fase exigirá atenção especial das organizações, que deverão adaptar processos, acompanhar regulamentações e revisar procedimentos internos para evitar inconsistências e garantir conformidade. Nesta entrevista com o consultor do Conselho Temático de Assuntos Tributários da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), Alexandre Tortato, são destacados alguns dos principais pontos aos quais as empresas precisam estar atentas nessa etapa de transição. Confira:
Por que o período de transição da Reforma Tributária é considerado tão importante para as empresas?
Alexandre Tortato: O período de transição é o momento em que as empresas precisarão se adaptar gradualmente ao novo sistema tributário. Embora a implementação completa da reforma esteja prevista para 2033, as mudanças começam muito antes e exigirão uma convivência entre o modelo atual e o novo modelo de tributação sobre o consumo. Isso significa que as empresas terão de operar simultaneamente com regras diferentes de apuração, recolhimento e controle dos tributos. É justamente essa coexistência que torna a fase de transição tão importante. Quanto antes a empresa compreender as mudanças e começar a revisar seus processos, menores serão os riscos de inconsistências e maior será sua capacidade de realizar uma adaptação segura e planejada.
Como funcionará a convivência entre os tributos atuais e os novos tributos previstos pela reforma?
Alexandre Tortato: A transição será gradual. Em 2027, inicia-se a fase com a incidência da CBS, que substituirá o PIS e a Cofins, e do IS. Na prática, isso exigirá que sistemas de gestão, processos fiscais e controles internos estejam preparados para lidar com dois modelos tributários ao mesmo tempo. Além disso, será necessário acompanhar a redução gradual de tributos como ICMS e ISS e o crescimento da participação do IBS, entre 2029 e 2032, até que o novo sistema esteja plenamente consolidado, a partir de 2033. Essa convivência demanda atenção permanente, porque alterações operacionais e regulamentações continuarão sendo publicadas ao longo dos próximos anos.
Quais são os principais desafios que as indústrias podem enfrentar durante esse período?
Alexandre Tortato: O principal desafio é justamente adaptar a operação da empresa a uma nova lógica tributária sem interromper sua rotina de negócios. Isso envolve desde a atualização de sistemas até a revisão de processos fiscais, contábeis e financeiros. Também será importante revisar contratos de longo prazo, analisar impactos sobre a formação de preços e garantir que informações cadastrais estejam corretas, especialmente diante da adoção da tributação no destino. Empresas que atuam em diferentes estados ou possuem cadeias produtivas mais complexas precisarão dedicar atenção especial a essas mudanças. Outro aspecto relevante é a integração entre diferentes áreas da empresa. A reforma deixa de ser um tema exclusivamente tributário e passa a envolver tecnologia, finanças, jurídico, suprimentos e planejamento estratégico.
Quais dessas áreas tendem a ser mais impactadas pela transição tributária?
Alexandre Tortato: Naturalmente, as áreas fiscal, contábil e tributária estarão diretamente envolvidas no processo de adaptação. No entanto, os impactos vão muito além dessas equipes. A área de tecnologia terá papel fundamental na atualização dos sistemas de gestão e de emissão de documentos fiscais. O setor jurídico precisará acompanhar possíveis revisões contratuais. Já as áreas financeira e comercial deverão avaliar reflexos na precificação, no fluxo de caixa e nas negociações com clientes e fornecedores. A reforma também exige maior integração entre essas áreas. Quanto mais alinhada estiver a empresa internamente, maior será sua capacidade de responder às mudanças com segurança.
Existe algum risco para as empresas que deixarem a adaptação para os últimos anos da transição?
Alexandre Tortato: Sim. Esperar os últimos anos para iniciar a adaptação pode concentrar uma série de mudanças em um período muito curto. A atualização de sistemas, a revisão de processos, a capacitação das equipes e a adequação de contratos demandam tempo e planejamento. Além disso, muitas empresas já estão realizando ajustes porque algumas exigências operacionais começaram antes mesmo da cobrança efetiva dos novos tributos, como a necessidade de adequação dos documentos fiscais eletrônicos. A recomendação é aproveitar o período de transição justamente para fazer essa adaptação de forma gradual, reduzindo riscos operacionais e permitindo que a empresa incorpore as mudanças à medida que elas forem sendo implementadas.
O que empresários e gestores podem fazer desde já para se preparar?
Alexandre Tortato: O primeiro passo é buscar informação de qualidade para compreender o funcionamento do novo sistema tributário. A partir desse entendimento, vale mapear quais processos internos poderão ser impactados e iniciar um planejamento de adaptação. Também é recomendável revisar sistemas de gestão, cadastros fiscais e contratos comerciais, além de acompanhar a evolução da regulamentação da reforma. Outro ponto importante é investir na capacitação das equipes, especialmente dos profissionais das áreas fiscal, contábil, financeira, jurídica e de tecnologia. Preparar a empresa desde agora não significa antecipar decisões que ainda dependem de regulamentação, mas criar condições para responder às mudanças de forma organizada e segura.
A Fiep disponibiliza conteúdos especiais sobre a reforma. Como esses materiais podem apoiar o processo de adaptação, especialmente para as indústrias que ainda estão começando a se informar sobre o tema?
Alexandre Tortato: A Reforma Tributária é um tema complexo, que envolve mudanças legais, operacionais e de gestão. Por isso, o primeiro desafio de muitas empresas é justamente compreender o que muda e como essas mudanças podem impactar sua realidade. Foi com esse objetivo que a Fiep reuniu em uma página especial conteúdos gratuitos, como uma cartilha, um webinar e um curso, desenvolvidos pelo Conselho Temático de Assuntos Tributários. Os materiais apresentam os principais conceitos da reforma em linguagem acessível, explicam como funcionará o período de transição e destacam os pontos que merecem maior atenção por parte das empresas. Mais do que apresentar aspectos técnicos, esses conteúdos procuram apoiar empresários, gestores e profissionais na construção de um processo de adaptação gradual. A informação qualificada é uma das melhores ferramentas para reduzir incertezas e permitir que as indústrias acompanhem a implementação da reforma com mais segurança e previsibilidade.
Acesse os conteúdos especiais
A cartilha especial, o webinar e o curso completo sobre a Reforma Tributária, disponibilizados pela Fiep, podem ser acessados gratuitamente clicando aqui.
FAÇA PARTE DO CANAL DE COMUNICAÇÃO DO SISTEMA FIEP
Faça parte do Canal do Sistema Fiep no WhatsApp! Entre direto com o link: https://t2m.io/CanalComunicacao.
Junte-se a nós e fique por dentro de tudo o que o Sistema Fiep faz para transformar o Paraná no melhor ambiente para o desenvolvimento industrial do Brasil.



