Iniciativa já registra ganhos médios superiores a R$ 120 mil por empresa e está com novas vagas abertas em seis regiões do Paraná
Vender mais nem sempre significa ganhar mais. Para muitas pequenas indústrias, despesas que passam despercebidas na rotina de produção, custos indiretos pouco acompanhados e preços definidos apenas com base na concorrência podem comprometer a margem de lucro. É justamente nesse ponto que atua o Programa de Custos e Precificação Industrial do Senai Paraná, que está com inscrições abertas para uma nova edição.
Voltada a micro e pequenas indústrias paranaenses com até 99 colaboradores, a iniciativa oferece acompanhamento técnico para que as empresas entendam, com maior precisão, quanto custa produzir, onde estão os principais gargalos e quais mudanças podem contribuir para melhorar os resultados financeiros.
O trabalho é conduzido pelo Instituto Senai de Tecnologia em Produtividade ao longo de cinco meses, em formato híbrido, combinando reuniões presenciais estratégicas e tutorias semanais online. A partir de um diagnóstico da operação, os consultores analisam os processos produtivos, identificam oportunidades de redução de custos e apoiam a estruturação de um DRE Gerencial — ferramenta que permite acompanhar receitas, despesas e resultados do negócio com maior clareza.
A meta do programa é contribuir para uma redução de pelo menos 10% no custo de fabricação de um produto deficitário escolhido pela própria empresa. Mais do que cortar despesas de forma isolada, a proposta é ajudar o gestor a compreender a composição dos custos e utilizar essas informações para tomar decisões relacionadas à produção, margem de contribuição e formação de preços.
Da análise dos números à mudança na operação
A experiência da Ingraph Digital, de Maringá, mostra como a análise detalhada dos custos pode revelar oportunidades que vão além do chão de fábrica. Durante a mentoria, a empresa identificou pontos de atenção relacionados ao consumo de energia, à contratação de mão de obra terceirizada para serviços externos e à estrutura comercial.
Segundo a CEO da empresa, Patrícia Cavalca, o acompanhamento dos consultores ajudou a transformar os dados levantados em medidas concretas.
“Com o apoio dos consultores e das ferramentas disponibilizadas, conseguimos analisar os custos, identificar os pontos prioritários e tomar decisões que trouxeram redução de despesas. Na parte de energia elétrica, por exemplo, migramos para 100% de energia renovável, o que gerou uma redução significativa. Também reduzimos o uso de mão de obra terceirizada em trabalhos externos e reestruturamos a área comercial, com impacto positivo nos custos”, relata.
Para ela, outro diferencial foi a proximidade da equipe técnica durante o processo. “Os consultores estiveram lado a lado com a nossa equipe, construindo planilhas, discutindo cenários e fazendo análises. Isso nos ajudou a encontrar rapidamente os pontos em que poderíamos agir e implementar mudanças de imediato”, afirma.
A situação exemplifica uma das principais questões observadas pelo programa: sem uma visão detalhada dos custos diretos e indiretos, decisões importantes podem ser tomadas com base em estimativas, histórico ou referências externas.
“Muitos empresários industriais vendem muito, mas no fim do mês não enxergam a cor do dinheiro porque estão precificando com base na concorrência ou em estimativas empíricas”, explica Bruno Sá, supervisor do Instituto Senai de Tecnologia em Produtividade.
De acordo com o especialista, a metodologia busca levar a análise para dentro da realidade de cada negócio. “Nós mergulhamos na rotina da fábrica para apurar o custo real de cada produto. Com dados claros de margem de contribuição e custos diretos e indiretos, o gestor deixa de trabalhar no ‘escuro’ e passa a tomar decisões estratégicas que protegem o caixa e garantem a rentabilidade sustentável do negócio”, destaca.
Mais de R$ 120 mil em ganhos médios
Os resultados acumulados nas edições anteriores mostram o potencial da metodologia. Mais de 60 indústrias já participaram do programa, com ganhos médios superiores a R$ 120 mil por empresa.
Entre os casos acompanhados estão o da Ingraph Digital, que identificou oportunidades que resultaram em uma economia anual superior a R$ 280 mil; com a redução de serviços terceirizados, a transição para energia renovável e a reorganização da estratégia comercial.
Para a nova edição, são disponibilizadas 140 vagas, distribuídas entre seis regiões: Curitiba e Região Metropolitana, Norte, Noroeste, Campos Gerais, Oeste e Sudoeste. O objetivo é ampliar o acesso de pequenas indústrias a uma metodologia de gestão de custos aplicada à realidade de cada negócio.
O valor regular de mercado da consultoria é de R$ 24,6 mil. Por meio do arranjo de mentoria voltado às pequenas indústrias, o investimento para as participantes é de R$ 10 mil, ou R$ 9 mil para empresas vinculadas a sindicatos filiados à Fiep, com possibilidade de parcelamento em até cinco vezes.
Como participar
As empresas interessadas podem conhecer a metodologia e esclarecer dúvidas nas apresentações técnicas online realizadas às quartas e quintas-feiras, às 10h.
As inscrições para o Programa de Custos e Precificação Industrial estão abertas e podem ser feitas clicando aqui.
SERVIÇO
Programa de Custos e Precificação Industrial
Público-alvo: micro e pequenas indústrias do Paraná, com até 99 colaboradores
Inscrições:https://t2m.io/RXTEJzp
Apresentações técnicas: quartas e quintas-feiras, às 10h, online
Formato: híbrido, com reuniões presenciais e tutorias semanais online
Duração: cinco meses
Vagas: 140, distribuídas entre seis regiões do Paraná



