Programação do primeiro dia reuniu especialistas e cases sobre tecnologia, produtividade, inovação, acesso a recursos e sustentabilidade

Tecnologias que ajudam veículos a identificar situações de risco, processos industriais redesenhados para reduzir custos, robôs aplicados a atividades de alta exigência e novos caminhos para transformar uma ideia inovadora em um projeto capaz de buscar recursos.

O primeiro dia da Expo + Indústria mostrou, na prática, como desafios bastante diferentes convergem para uma mesma questão: como transformar tecnologia, conhecimento e inovação em resultado para as empresas.

Ao longo desta terça-feira (25), a Fiep promoveu uma sequência de palestras silenciosas na Arena Mais Indústria. Com o uso de fones de ouvido, especialistas compartilharam experiências, aplicações e aprendizados diretamente relacionados às decisões que fazem parte da rotina do setor produtivo.

Ao todo, sete encontros percorreram temas como mobilidade, eficiência operacional, automação, desenvolvimento tecnológico, financiamento da inovação e eletromobilidade, reunindo profissionais da Renault, Orcostra, Forvia, Loccus do Brasil, MGL, Dalca e Senai.

Tecnologia que ajuda o carro a identificar riscos

A primeira palestra da tarde colocou em pauta uma transformação que já está mudando a indústria automotiva. Lucas Ferreira Gonçalves, especialista em Customer Performance da Renault, e Murillo Zagonel, especialista em ADAS e Condução Autônoma da montadora, apresentaram os sistemas avançados de assistência ao motorista, conhecidos como ADAS.

Sensores, processamento de dados e sistemas inteligentes ampliam a capacidade dos veículos de reconhecer situações de risco e auxiliar o motorista durante a condução. Por trás dessas funcionalidades está uma cadeia que envolve software, eletrônica, engenharia e integração entre diferentes tecnologias.

Para Lucas Ferreira Gonçalves, essa evolução também muda a forma como o consumidor se relaciona com o veículo.

“O ADAS amplia a capacidade do veículo de perceber o ambiente ao redor e apoiar o motorista em situações importantes da condução. Quando essas tecnologias são bem integradas, conseguimos avançar em segurança e, ao mesmo tempo, oferecer uma experiência cada vez mais inteligente para quem está ao volante”, afirma.

Murillo Zagonel destaca que o avanço desses sistemas traz reflexos que vão além do produto final.

“Estamos falando de tecnologias que dependem da integração entre sensores, processamento de dados e sistemas cada vez mais sofisticados. Isso transforma o desenvolvimento dos veículos e também cria novos desafios e oportunidades para toda a cadeia automotiva”, explica.

A discussão mostrou que soluções que há poucos anos pareciam distantes já começam a fazer parte de produtos e decisões industriais do presente.

Rever custos pode abrir espaço para novos ganhos de eficiência

Um sobrecusto capaz de colocar em risco uma unidade fabril também pode provocar uma transformação na forma como a empresa olha para a própria operação.

Foi esse o ponto de partida da palestra de Pedro Suplicy, Head de Competitividade Industrial da Orcostra. O case apresentado mostrou como uma pressão de custos levou à revisão estratégica da operação e abriu espaço para ganhos de eficiência.

O exemplo trouxe à Arena Mais Indústria uma realidade presente em empresas de diferentes portes. Nem sempre produtividade começa com grandes investimentos. Muitas vezes, o primeiro passo está em identificar onde estão as perdas, compreender a origem do problema e questionar processos ou decisões que já pareciam consolidados.

“Quando um custo começa a comprometer a competitividade da operação, não basta olhar apenas para o número final. É preciso entender de onde ele vem, quais decisões estão por trás dele e o que pode ser redesenhado. Muitas vezes, um problema que parece apenas financeiro revela uma oportunidade importante de melhorar o processo como um todo”, afirma Suplicy.

O case reforçou uma das provocações centrais da Expo + Indústria: olhar com mais profundidade para aquilo que já acontece dentro da fábrica pode revelar oportunidades importantes de economia e competitividade.

Padronização reduz complexidade dentro da fábrica

Gabriel Kopanski, Expert Sênior de Montagem da Forvia, e Patrick Bartz, especialista de Automação da empresa, levaram à programação outro tema diretamente ligado ao cotidiano industrial: a padronização de equipamentos e controles.

Em uma operação com diferentes máquinas, componentes e tecnologias, a ausência de padrões pode aumentar a complexidade da manutenção, dos estoques e da capacitação das equipes. A padronização ajuda a simplificar esse cenário e pode tornar a automação mais eficiente e previsível.

“Quanto maior a variedade de equipamentos, componentes e soluções dentro de uma planta, maior tende a ser a complexidade para operar e manter essa estrutura. Padronizar ajuda a simplificar processos e cria uma base mais organizada para a operação”, explica Gabriel Kopanski.

Na automação, os reflexos também aparecem na manutenção e na capacidade de integrar diferentes partes do processo.

“A padronização facilita a manutenção, reduz a diversidade de soluções que a equipe precisa dominar e torna a operação mais previsível. Isso contribui para intervenções mais eficientes e para uma automação mais preparada para evoluir junto com a fábrica”, afirma Patrick Bartz.

Afinal, padronizar equipamentos e controles pode se transformar em uma estratégia para diminuir complexidades e criar melhores condições para o crescimento da operação.

Uma boa ideia precisa provar que consegue virar negócio

Ter uma solução inovadora é apenas parte do caminho. Essa foi a provocação apresentada por Rossandra Feix, Head Latam da Orcostra, durante a palestra sobre estruturação financeira para captação de recursos.

Para buscar financiamento ou investimento, uma empresa precisa ir além da ideia e demonstrar que existe um problema real a ser resolvido, um mercado disposto a pagar pela solução, custos conhecidos e uma estratégia capaz de transformar tecnologia em resultado.

“Uma boa ideia, sozinha, não é suficiente para captar recursos. A empresa precisa mostrar que conhece o problema que quer resolver, quem está disposto a pagar pela solução, quanto custa desenvolvê-la e de que forma aquele projeto pode gerar resultado. É essa estrutura que transforma uma intenção inovadora em uma oportunidade mais consistente de investimento”, afirma Rossandra.

A discussão aproximou o financiamento da inovação de questões práticas de gestão. Antes de buscar recursos, é preciso conhecer números, mercado, riscos e perspectivas do negócio.

Para inovar, é preciso pensar também em como produzir

Transformar pesquisa e desenvolvimento em um equipamento capaz de chegar ao mercado foi o tema apresentado por André C. Minhoto Lança, gerente de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Loccus do Brasil.

A partir da experiência da empresa no desenvolvimento de equipamentos para a saúde, a palestra mostrou a importância de integrar pesquisa, desenvolvimento de produto, engenharia e produção desde as primeiras etapas de um projeto.

Uma solução pode funcionar tecnicamente e, ainda assim, encontrar obstáculos quando precisa ser fabricada, escalada ou incorporada pelo mercado.

“Desenvolver uma tecnologia não significa apenas provar que ela funciona. Desde o início, é importante pensar em como aquele produto será projetado, produzido e levado ao mercado. Quando pesquisa, engenharia e produção trabalham de forma integrada, aumentamos as condições de transformar uma boa ideia em uma solução realmente aplicável”, explica André.

O case mostrou que inovação não termina na criação de uma tecnologia. Para gerar resultado, ela precisa conseguir avançar do desenvolvimento para a produção e responder a uma necessidade concreta.

Robótica une produtividade, qualidade e segurança

A automação ganhou uma aplicação prática na palestra de Marcus Gimenes, CEO da MGL, e Bruno Dal Fré, CEO da Dalca. Os especialistas apresentaram um case de rebarbação em célula robótica no qual foi necessário revisar a tecnologia inicialmente escolhida, corrigir a rota e encontrar uma solução mais adequada ao processo.

O exemplo mostrou que automatizar não significa simplesmente inserir um robô em uma atividade que antes era manual. É preciso compreender o processo, suas particularidades e os resultados que a empresa espera alcançar.

“Automação não pode ser tratada como uma solução pronta que serve para qualquer situação. É preciso entender o processo, avaliar se a tecnologia escolhida realmente atende à necessidade e, quando necessário, ter disposição para rever o caminho. Corrigir a rota também faz parte de um projeto bem executado”, afirma Marcus Gimenes.

Para Bruno Dal Fré, a escolha correta da solução permite trabalhar diferentes ganhos de forma conjunta.

“Em um processo como a rebarbação, a célula robótica pode contribuir para aumentar a repetibilidade, melhorar a qualidade e reduzir a exposição do trabalhador a uma atividade de maior exigência. O objetivo é usar a tecnologia para construir um processo mais produtivo e também mais seguro”, explica.

O case reforçou que produtividade e segurança podem avançar juntas quando a tecnologia é aplicada a partir das necessidades reais da operação.

Eletromobilidade começa a redesenhar a cadeia produtiva

Encerrando a sequência de palestras silenciosas, Valério Mendes Marochi, do Senai Eletroquímica, abordou os impactos da eletromobilidade no ecossistema industrial brasileiro.

A expansão dos veículos elétricos começa a movimentar não apenas as montadoras, mas uma cadeia formada por fornecedores, desenvolvedores de tecnologia e empresas envolvidas na criação de novos produtos e soluções.

A transformação exige que o setor produtivo acompanhe novas tecnologias e compreenda de que maneira pode participar desse mercado em expansão.

“A eletromobilidade não transforma apenas o veículo. Ela movimenta toda uma cadeia de produção, tecnologia, fornecedores e desenvolvimento de novos produtos. Para a indústria brasileira, o desafio é entender onde estão essas mudanças e se preparar para ocupar espaço nas oportunidades que esse novo ecossistema começa a criar”, afirma Valério Mendes Marochi.

Ao fim do primeiro dia, as palestras da Arena Mais Indústria deixaram um retrato de desafios que já fazem parte da realidade das empresas e de diferentes possibilidades para enfrentá-los.

Seja reduzindo custos, automatizando um processo, desenvolvendo uma nova tecnologia, buscando recursos ou se preparando para mercados em transformação, o ponto de partida é semelhante: compreender bem o problema para transformar conhecimento em decisão e decisão em produtividade.

A Expo + Indústria continua nos dias 26 e 27 de agosto, no Expotrade, em Pinhais, com novos debates, experiências e soluções voltadas ao desenvolvimento do setor produtivo.

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