Primeiro dia da EXPO+INDÚSTRIA foi marcado por debates sobre transformação digital, com cases reais de aplicação de tecnologias, ganhos de produtividade e alternativas de financiamento para a inovação
O primeiro dia da EXPO+INDÚSTRIA, realizado em 26 de agosto, foi marcado por discussões sobre os caminhos para tornar a indústria mais produtiva, competitiva e preparada para os desafios da transformação digital. Na programação do Senai Tecnologia e Inovação, três painéis colocaram em evidência diferentes etapas dessa jornada: da utilização da simulação computacional para apoiar decisões estratégicas à validação de tecnologias 4.0 e, por fim, ao acesso a recursos de fomento capazes de viabilizar investimentos em inovação.
A programação começou com o Fórum Nacional de Simulação Computacional – painel “Indústria 4.0 e o papel da Simulação Computacional na Produtividade”, que mostrou como a representação virtual de processos pode contribuir para reduzir incertezas e apoiar decisões antes da realização de investimentos. A ferramenta permite avaliar diferentes cenários, antecipar impactos e obter informações que ajudam as empresas a escolher caminhos com maior segurança.
Simulação computacional para reduzir incertezas
Um dos exemplos apresentados veio da Volvo. Segundo Diogo Faria, gerente de Projetos em Logística da empresa, a simulação já faz parte de diferentes iniciativas conduzidas pela companhia e é utilizada como suporte à tomada de decisões. Entre os casos atuais está a avaliação da necessidade de contratação de um novo AGV para apoiar os processos logísticos.
“Na Volvo, utilizamos a simulação em diferentes cases para apoiar a tomada de decisões. Atualmente, por exemplo, estamos simulando uma rota para avaliar se devemos ou não contratar um novo AGV para dar suporte ao nosso processo. Como o custo dessa mudança é elevado, a simulação nos ajuda a entender qual será o impacto financeiro e o custo final dessa modificação.”
A importância da aproximação entre indústria e Senai também esteve presente no painel. Bruno Beraldo, da Thales, compartilhou a experiência de uma residência técnica desenvolvida em parceria com o Senai, iniciativa que já soma três anos e vem sendo aplicada para gerar melhorias concretas nos processos da empresa.
O projeto apresentado registrou ganho de produtividade de 21% e saving de R$ 180 mil por ano, demonstrando como a combinação entre conhecimento técnico, tecnologia e atuação conjunta pode resultar em ganhos mensuráveis para a indústria.
“O case que apresentei trouxe um ganho de produtividade de 21% e um saving de R$ 180 mil por ano. Esse é um dos projetos que já desenvolvemos em parceria e que contribui diretamente para a nossa transformação digital. Foi muito importante poder compartilhar essa experiência e mostrar para todos que estão aqui hoje como essa parceria pode gerar resultados concretos para a indústria.”
Como transformar inovação em resultados
Na sequência, o debate avançou da simulação e dos projetos aplicados para outro desafio central da transformação digital: como validar novas tecnologias sem comprometer a operação que já está em funcionamento. O painel “Da validação ao valor: cases de tecnologias 4.0 para aumento de produtividade” apresentou experiências práticas e discutiu os desafios enfrentados pelas empresas para transformar inovação em resultados.
Para Matheus Dias, Production Manager da GEMÜ Brasil, um dos principais obstáculos está justamente em conduzir testes e validações enquanto a produção precisa continuar atendendo às demandas do mercado.
“Eu diria que o principal desafio é fazer todo esse processo de validação das tecnologias enquanto mantemos a operação funcionando. É aquela velha história de trocar a roda do carro com o carro em movimento. Precisamos realizar todos os testes e validações sem deixar de entregar nossos produtos aos clientes e, principalmente, garantindo que esse processo não afete nossos padrões de qualidade, segurança e produtividade.”
O executivo também destacou a importância de indicadores confiáveis para verificar se a tecnologia efetivamente está produzindo os resultados esperados. Eficiência, OEE, qualidade das peças e paradas de máquinas estão entre os indicadores que ajudam a indústria a compreender o desempenho real dos processos.
“É importante avaliar como essa coleta de dados está sendo realizada, se temos a acurácia necessária e se os números são condizentes com a realidade da operação. Entre os principais indicadores, estão a eficiência, o OEE, a qualidade das peças e as paradas de máquinas. Esses dados são fundamentais para entender o desempenho real do processo.”
Se os dois primeiros painéis mostraram como identificar oportunidades, testar soluções e medir resultados, o terceiro debate trouxe um elemento decisivo para que esses projetos saiam do planejamento e sejam efetivamente implementados: o acesso a recursos financeiros.
Acesso a fomento
Encerrando a programação do Senai Tecnologia e Inovação no primeiro dia da EXPO+INDÚSTRIA, o painel “Oportunidades de fomento para transformação digital” apresentou possibilidades para empresas que desejam investir em inovação, mas precisam encontrar alternativas para reduzir o impacto financeiro dos projetos.
Representando a Finep, Carolina Mariano destacou que o acesso a recursos públicos pode ser um importante instrumento para ampliar a competitividade da indústria, especialmente em projetos de transformação digital.
“A competitividade da indústria pode ser ampliada por meio do acesso a recursos públicos disponibilizados pela Finep. É muito mais vantajoso utilizar um recurso público, com uma taxa mais baixa ou até mesmo não reembolsável, do que comprometer o capital próprio da empresa.”
Entre as alternativas apresentadas estão chamadas públicas com recursos de subvenção econômica, que não precisam ser reembolsados, além de linhas de crédito destinadas a projetos de maior porte. Para empresas que estão iniciando sua jornada de transformação digital, a recomendação é avaliar as oportunidades de subvenção como uma possibilidade de reduzir o impacto financeiro dos investimentos.
“Para o público que está começando ou busca viabilizar projetos de transformação digital, a nossa recomendação é avaliar primeiro as oportunidades de subvenção econômica, justamente por serem recursos não reembolsáveis e que podem reduzir o impacto financeiro do investimento para a empresa.”
Com abordagens complementares, os três painéis reforçaram uma mesma mensagem: a transformação digital não se resume à adoção de novas tecnologias. É preciso compreender o problema, simular cenários, validar soluções, acompanhar indicadores, comprovar resultados e encontrar os mecanismos de financiamento adequados para viabilizar a inovação.



