Promovido pelo Sesi Paraná, Congresso Sesi ODS conecta experiências empresariais e conhecimento para fortalecer a agenda ESG nas organizações

Em 2015, quando 193 países aprovaram a Agenda 2030 das Nações Unidas, o mundo estabeleceu um compromisso coletivo com um futuro mais justo, inclusivo e sustentável. Dez anos depois, a distância entre essa ambição e os resultados alcançados ainda é um ponto de atenção. O desafio, agora, está em acelerar as mudanças e fazer com que os compromissos assumidos orientem decisões concretas.

É nessa travessia que a governança ganha importância. Quem define as prioridades? Como os resultados são medidos? De que maneira as responsabilidades ambientais e sociais entram nas decisões de negócio? Essas perguntas conduziram o Congresso Sesi ODS 2026, realizado nos dias 28 e 29 de outubro, no Campus da Indústria, em Curitiba.

Promovido pelo Sesi Paraná, o encontro teve como tema “Governança para transformar sustentabilidade em prática” e reuniu profissionais, especialistas e representantes de organizações em torno de uma questão decisiva para a indústria: como incorporar o desenvolvimento sustentável à estratégia empresarial e transformar essa escolha em resultados para os negócios e para a sociedade.

A urgência aparece nos números. O relatório de 2026 das Nações Unidas sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) aponta que, entre as 139 metas com dados disponíveis para avaliar a evolução ao longo do tempo, 36% estavam no caminho certo ou apresentavam progresso moderado. Outras 49% avançavam lentamente, enquanto 15% haviam regredido em relação aos níveis de 2015.

Os indicadores não anulam os avanços conquistados, mas mostram que o ritmo atual é insuficiente para cumprir toda a Agenda 2030. Para a indústria, essa realidade coloca em evidência a necessidade de integrar planejamento, inovação, responsabilidade socioambiental e capacidade de execução.

E é o que pontua o Superintendente do Sesi Paraná, Hugo Molina: “os desafios da sustentabilidade exigem que as organizações transformem compromissos em decisões e iniciativas capazes de gerar resultados concretos. O Congresso Sesi ODS cria um espaço para aproximar conhecimentos, compartilhar experiências e estimular soluções que considerem as dimensões econômica, social e ambiental do desenvolvimento. Ao conectar especialistas, empresas e profissionais, o Sesi Paraná contribui para que a sustentabilidade esteja cada vez mais presente na estratégia das organizações, com impactos positivos para a indústria e para a sociedade”.

Como a construção de um Paraná como o melhor lugar para a indústria do Brasil é uma ação sistêmica, também reforça esta percepção o Diretor do Sistema Fiep e Coordenador do Conselho Temático de Responsabilidade Social, Fernando Mizote: “a sustentabilidade precisa estar integrada à estratégia da indústria, com reflexos na gestão, na competitividade e na relação das empresas com as pessoas e o meio ambiente. O Congresso Sesi ODS materializa esse compromisso do Sistema Fiep ao oferecer conhecimento, promover conexões e aproximar o setor produtivo de práticas que podem ser incorporadas à realidade dos negócios. Essa entrega é estratégica porque ajuda as empresas a compreender seus desafios, identificar oportunidades e avançar com mais consistência na construção de um desenvolvimento industrial responsável”.

A sustentabilidade precisa ser pauta no desenvolvimento da indústria

A sustentabilidade se materializa em escolhas que nem sempre aparecem nos relatórios institucionais. Está na energia utilizada para produzir, nas condições oferecidas aos trabalhadores, na relação com fornecedores, na destinação de resíduos e na maneira como uma empresa responde aos impactos que provoca no território onde atua.

É justamente por isso que a governança ocupa lugar central nessa discussão. Ela estabelece os mecanismos para definir prioridades, distribuir responsabilidades, acompanhar indicadores e avaliar se os compromissos assumidos correspondem às práticas adotadas. Na indústria, essa estrutura também influencia a capacidade de gerar resultados consistentes e manter os negócios no longo prazo.

Para Sandro Beneli, especialista em governança, a conexão entre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e a gestão empresarial é fundamental para a continuidade dos negócios. “Hoje a gente está em uma aldeia global em que você não vive sozinho. Você não pode dizer que a minha empresa faz o que ela quer. Muito do que você faz também responde aos inputs dos seus clientes, dos seus colaboradores e dos stakeholders em geral”, afirma.

O especialista defende que lucratividade e responsabilidade socioambiental são compatíveis, desde que os resultados sejam alcançados por meio de práticas responsáveis. “Não tem conflito entre você fazer o bem e gerar lucro, gerar capital, gerar perpetuação. O problema não é ter lucro, mas a forma como você chega a ele. É ter lucro sem se preocupar em pagar adequadamente o colaborador, em não descartar resíduos em qualquer lugar ou em não desmatar para produzir mais”, exemplifica.

Nesse sentido, a governança funciona como base para integrar os compromissos ambientais e sociais à estratégia empresarial. Beneli ressalta, porém, que essas iniciativas também dependem de recursos financeiros, o que torna a sustentabilidade econômica dos negócios parte da equação. “Se você quer fazer o bem e não tem capital para investir, para dividir, como é que você vai fazer? É por isso que a governança é a base de tudo isso”, explica.

É nessa conexão entre conhecimento, gestão e aplicação prática que o Congresso Sesi ODS ganha relevância para a indústria paranaense. Ao reunir especialistas e promover o compartilhamento de experiências, o Sesi Paraná contribui para que empresas identifiquem prioridades, conheçam boas práticas e encontrem caminhos compatíveis com suas realidades.

Beneli destaca justamente o papel da instituição na disseminação desse conhecimento e na aproximação entre o debate sobre sustentabilidade e os desafios enfrentados pelas organizações. “Tem empresa que tem mais ou menos oportunidade de atingir um nível de otimização, tem empresa que não sabe nem onde procurar. É aí que vocês entram. O evento mostra o que é importante, aponta caminhos, traz atualização e uma visão de fora. Esse evento é fundamental”, avalia.

Ao reconhecer a iniciativa, o especialista reforça a importância de espaços que aproximem a indústria das práticas de governança e sustentabilidade. “Vocês estão anos-luz das outras entidades similares que eu conheço pelo Brasil. Parabéns!”, conclui.

Conexão entre ideias e iniciativas práticas

O segundo dia do Congresso Sesi ODS trouxe momentos de construção de conhecimento e de troca de experiências.

A mostra de projetos acrescentou uma dimensão prática ao debate. Conhecer as iniciativas permite observar como diferentes organizações interpretam os desafios socioambientais, quais caminhos escolhem e de que forma estruturam suas respostas. Também abre espaço para reconhecer experiências que podem inspirar outras empresas, respeitadas as particularidades de cada realidade.

Para Carolina Gar, da Cresol Integração, o formato das apresentações favoreceu esse intercâmbio. “Foi bem legal, acho que o formato ficou bem dinâmico. Várias apresentações ao mesmo tempo, a gente tinha a possibilidade de conhecer vários projetos. Já acompanhei a apresentação de dois, e acho que essa troca de experiência gera muito aprendizado. São cases dos quais a gente consegue levar sempre alguma coisa para a nossa realidade”, destacou.

O encontro entre profissionais de diferentes áreas favorece a circulação de conhecimentos e a construção de novas perspectivas. Ao conhecer experiências de outras organizações, os participantes identificam possibilidades de adaptação, reconhecem desafios compartilhados e encontram oportunidades para desenvolver soluções conjuntas.

Governança e competitividade no novo tabuleiro global

As decisões industriais são cada vez mais influenciadas por fatores ambientais, sociais, econômicos e geopolíticos. Na palestra sobre governança, Marcos Troyjo, empresário brasileiro e ex-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento, analisou como essas mudanças afetam a atração de investimentos, o acesso a mercados e as estratégias de expansão da indústria. Nesse cenário, o Brasil reúne vantagens importantes, como a biodiversidade, a disponibilidade de recursos naturais, o potencial energético e o mercado interno.

Para Troyjo, o país tem condições de ocupar uma posição estratégica nessa nova dinâmica, que combina os critérios tradicionais de ESG com questões de segurança econômica e geopolítica. “O Brasil talvez seja um dos poucos países do mundo que consegue combinar uma posição de protagonismo, tanto no mundo do ESG 1.0, quanto no mundo do ESG 2.0”, afirmou.

Transformar essas vantagens em desenvolvimento industrial, no entanto, exige avanços internos. O palestrante destacou o custo do capital, a carga tributária e os investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação como fatores que influenciam a competitividade brasileira. O desafio está em criar condições para que a indústria amplie sua produtividade, agregue valor à produção e conquiste espaço nas cadeias globais.

Indústria compartilha caminhos para a agenda ESG

Também no período da tarde, o congresso voltou a atenção para a governança e as experiências empresariais. Um dos destaques foi o painel com representantes da Andali, Herbarium e Sulfoquímica, que discutiu como incorporar os critérios ambientais, sociais e de governança (ESG) à gestão e às decisões empresariais.

A conversa aproximou o tema dos desafios cotidianos da indústria, com experiências relacionadas à construção de confiança, à sucessão familiar, à expansão dos negócios e à integração da sustentabilidade ao planejamento estratégico.

Para Elis Senem, representante da Andali, a confiança depende da coerência entre os princípios declarados pela organização e as atitudes de seus profissionais. “Você só gera confiança se você falar a verdade, se você agir com respeito, se você fizer uma construção no dia a dia”, afirmou. A executiva destacou que credibilidade, integridade e responsabilidade precisam orientar as decisões da empresa de forma constante, especialmente nas relações com clientes e demais públicos.

Na Sulfoquímica, o processo de sucessão familiar e profissionalização também colocou a cultura organizacional no centro das discussões sobre governança. Vitor Hugo Bach Pereira, representante da empresa, ressaltou a importância de transformar regras e procedimentos em práticas efetivas. “Mais importante do que a parte escrita, o documento, os processos, é a parte da cultura e do exemplo que a gente dá no dia a dia”, destacou. Para ele, a liderança precisa respeitar as mesmas regras estabelecidas para os demais profissionais, com coerência entre discurso e atitude.

A experiência da Herbarium trouxe outra dimensão do desafio: como ampliar a atuação da empresa sem comprometer sua identidade e a eficiência da operação. Rafael Mattos, representante da companhia, relatou que a expansão para novos mercados exigiu rever o planejamento estratégico diante das diferenças entre as exigências regulatórias e operacionais de cada segmento. “O grande desafio da governança com crescimento, com sucessão familiar, é crescer em escala sem perder a essência”, afirmou.

A sustentabilidade também apareceu como elemento diretamente relacionado à continuidade dos negócios. No caso da Herbarium, que utiliza matérias-primas naturais na fabricação de medicamentos fitoterápicos, a biodiversidade, as mudanças climáticas e a resiliência da cadeia de fornecimento influenciam a capacidade produtiva. A manutenção de fornecedores e de agricultores dedicados ao cultivo de plantas medicinais, por exemplo, integra as preocupações estratégicas da empresa.

Elis Senem reforçou que a sustentabilidade precisa participar das decisões empresariais, em vez de permanecer restrita a uma área específica. “A sustentabilidade, ela precisa estar inserida às decisões que são tomadas na companhia”, afirmou. A executiva também chamou a atenção para o papel das lideranças na mobilização das equipes e na incorporação das práticas ao cotidiano.

As experiências compartilhadas mostraram que a governança precisa considerar o porte, a atividade e os objetivos de cada organização. Para a indústria, isso significa estabelecer responsabilidades claras, fortalecer a transparência, avaliar riscos e incorporar os aspectos ambientais e sociais ao planejamento. A agenda ESG ganha consistência quando orienta escolhas concretas e contribui para a continuidade e a competitividade dos negócios.

Descarbonização exige método, metas e continuidade

A redução das emissões de gases de efeito estufa é um dos desafios mais importantes da transformação industrial. Para avançar, as empresas precisam conhecer suas fontes de emissão, identificar oportunidades de melhoria e estabelecer medidas compatíveis com as características de suas operações.

O Programa Sesi Descarbonização integra essa agenda ao apoiar iniciativas voltadas à identificação de oportunidades e à redução de emissões na indústria. No Congresso Sesi ODS, a programação da tarde incluiu o reconhecimento das indústrias participantes do programa.

O reconhecimento valoriza o envolvimento das empresas nessa trajetória e dá visibilidade à importância de incorporar a descarbonização à gestão. O avanço depende de conhecimento técnico, planejamento e acompanhamento, com ações orientadas pelas necessidades de cada operação.

O contexto brasileiro oferece oportunidades importantes. Segundo o Balanço Energético Nacional 2025, elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), as fontes renováveis responderam por 50% da oferta interna de energia do país em 2024. Na indústria, a participação das fontes renováveis na matriz energética chegou a 64,4%.

Os números demonstram a relevância das fontes renováveis na estrutura energética nacional, mas não eliminam os desafios relacionados às emissões dos processos produtivos. A transição exige avaliar o consumo de energia, os equipamentos, as matérias-primas, a logística e outras características que influenciam a pegada de carbono de cada atividade.

Nesse percurso, conhecer os impactos é um passo necessário para estabelecer prioridades e acompanhar os resultados. A descarbonização ganha força quando deixa de ser uma intenção genérica e passa a orientar decisões apoiadas em dados, metas e medidas verificáveis.

Inclusão de migrantes também faz parte do desenvolvimento sustentável

A sustentabilidade de uma organização também se revela nas oportunidades que ela oferece às pessoas. A inclusão profissional de migrantes e refugiados integra essa dimensão e conecta o ambiente de trabalho a questões como igualdade de oportunidades, diversidade cultural e desenvolvimento socioeconômico.

No Congresso Sesi ODS, o Selo Sesi Indústria Parceira do Migrante integrou a programação de reconhecimentos da tarde. A iniciativa dá visibilidade às organizações participantes e à importância do envolvimento empresarial na construção de ambientes profissionais mais inclusivos.

A integração de pessoas migrantes ao mercado de trabalho envolve desafios que vão do acesso às oportunidades ao acolhimento nas equipes. O reconhecimento de competências, a comunicação, a adaptação a diferentes culturas e a superação de barreiras podem exigir medidas específicas das organizações.

Para a indústria, essa discussão também abre espaço para refletir sobre a valorização de talentos e a construção de relações profissionais que respeitem as diferenças. Práticas inclusivas podem contribuir para ampliar oportunidades e fortalecer o vínculo entre as empresas e as comunidades em que estão presentes.

A pauta dialoga com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável relacionados ao trabalho decente, à redução das desigualdades e à construção de sociedades inclusivas. No Brasil, o debate sobre igualdade étnico-racial também ganhou uma referência própria com a proposição do ODS 18, uma iniciativa voluntária brasileira que amplia a discussão sobre o enfrentamento do racismo e das desigualdades raciais.

Ao reconhecer organizações participantes do Selo, o congresso destaca a participação do setor produtivo nessa agenda. O desafio é manter a inclusão presente nas políticas e nas práticas cotidianas, com condições para que os profissionais sejam acolhidos, desenvolvam suas competências e encontrem oportunidades de crescimento.

O caminho daqui para frente

O Congresso Sesi ODS encerra sua edição de 2026 com uma agenda que aproxima diferentes dimensões da sustentabilidade. A governança, as experiências empresariais, a descarbonização e a inclusão profissional mostram que o desenvolvimento sustentável depende de decisões articuladas e de compromissos capazes de resistir ao tempo.

O relatório das Nações Unidas reforça a urgência desse trabalho. Com apenas 36% das metas avaliadas no caminho certo ou em ritmo moderado de progresso, a Agenda 2030 exige que governos, empresas e sociedade ampliem seus esforços para acelerar as mudanças necessárias.

Na indústria, essa resposta passa pela capacidade de reconhecer impactos, planejar investimentos, desenvolver soluções e acompanhar resultados. Também depende de uma compreensão ampla da sustentabilidade, que considere tanto a eficiência dos processos quanto as condições de vida e de trabalho das pessoas.

Ao promover o Congresso Sesi ODS, o Sistema Fiep contribui para manter essa agenda em debate e aproximar organizações interessadas em encontrar caminhos para sua aplicação prática. O encontro favorece a circulação de experiências e a construção de conexões que podem alimentar novas iniciativas.

O desafio não termina com o encerramento da programação. É nas decisões tomadas depois do encontro, nos projetos que ganham continuidade e nas práticas incorporadas à gestão que a sustentabilidade demonstra sua capacidade de transformar a realidade.

“Saímos deste Congresso com a certeza de que a sustentabilidade ganha força quando deixa de ser uma intenção e encontra pessoas dispostas a transformá-la em ação. Foi muito gratificante reunir organizações, compartilhar experiências e mostrar que já temos caminhos sendo construídos. Que cada participante leve daqui novas ideias, boas conexões e, principalmente, a vontade de fazer acontecer. É assim que seguimos fortalecendo a indústria e contribuindo para um futuro melhor para todos”, destaca Hugo Molina, Superintendente do Sesi Paraná, já deixando o caminho aberto para mais um ano de transformações, que será celebrado no Congresso Sesi ODS 2027.

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