Oficinas em Curitiba discutem impactos socioambientais, diversidade, saúde mental e descarbonização em um momento decisivo para o cumprimento das metas globais de desenvolvimento sustentável
O Congresso Sesi ODS 2026 começou em 28 de outubro, no Campus da Indústria, em Curitiba, com o tema “Governança para transformar sustentabilidade em prática”, reunindo profissionais, especialistas e organizações para discutir soluções sustentáveis.
O prazo para cumprir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) se aproxima, mas o ritmo dos avanços precisa acelerar cada vez mais. O relatório de 2026 das Nações Unidas sobre a Agenda 2030 aponta progressos importantes, porém desiguais, e defende a ampliação de investimentos, o fortalecimento da cooperação e a aceleração de soluções para desafios econômicos, sociais e ambientais.
E com o objetivo de potencializar cada vez mais esta pauta, o Congresso Sesi ODS 2026 começou nesta quarta-feira (28), no Campus da Indústria, em Curitiba. Realizado pelo Sesi Paraná, o encontro tem como tema “Governança para transformar sustentabilidade em prática” e reúne profissionais, especialistas e representantes de organizações para discutir caminhos que aproximem os compromissos globais da realidade das empresas.
Adotada em 2015 pelos 193 Estados-membros da Organização das Nações Unidas (ONU), a Agenda 2030 estabelece objetivos e metas para promover o desenvolvimento sustentável em suas dimensões econômica, social e ambiental. Os 17 ODS abrangem questões como erradicação da pobreza, educação de qualidade, trabalho decente, igualdade de gênero, consumo responsável, ação climática e fortalecimento das instituições. E, no Brasil, desde 2023, também trabalhamos o ODS 18, de Igualdade Étnico-Racial.
A proposta parte do entendimento de que esses desafios estão interligados. A competitividade de uma empresa, por exemplo, também se relaciona à qualificação profissional, às condições de trabalho, à eficiência no uso de recursos naturais e às relações que mantém com seus fornecedores e comunidades.
Da agenda global às decisões das organizações
A dimensão do desafio aparece em indicadores brasileiros. Segundo o Ministério de Minas e Energia e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), as fontes renováveis responderam por 50% da matriz energética nacional em 2024. Na indústria, essa participação chegou a 64,4%, conforme o Balanço Energético Nacional 2025.
Os números demonstram a relevância das fontes renováveis para o país, mas também ajudam a situar a necessidade de planejamento e eficiência no uso de energia pelas empresas. A transição para processos produtivos mais sustentáveis envolve decisões sobre tecnologia, investimentos, gestão e acompanhamento de resultados.
A dimensão social também permanece central. Dados do IBGE divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social indicam que 23,1% da população brasileira vivia na pobreza em 2024, apesar da redução registrada em relação ao ano anterior. O indicador evidencia a importância de iniciativas relacionadas à inclusão, à geração de oportunidades e ao desenvolvimento social.
Essas questões se conectam a diferentes objetivos da Agenda 2030 e ajudam a explicar por que a sustentabilidade demanda uma atuação articulada entre governos, empresas e sociedade.
Oficinas aproximam conhecimento e prática
A programação do primeiro dia foi organizada em dois períodos, com oficinas simultâneas sobre temas ambientais, sociais e de gestão. Os participantes puderam escolher atividades conforme seus interesses, em uma agenda que aproximou conceitos, metodologias e experiências dos desafios enfrentados pelas organizações.
Análise de impacto socioambiental
Avaliar os efeitos das atividades de uma organização sobre a sociedade e o meio ambiente é essencial para orientar decisões responsáveis. A oficina abordou caminhos para identificar impactos, compreender suas consequências e incorporar critérios socioambientais ao planejamento e à gestão das empresas.
Para Fernando Barros, da Descarbonize Soluções S.A., participar do Congresso Sesi ODS é uma oportunidade de ampliar conhecimentos, estabelecer conexões e conhecer práticas que podem ser adaptadas à realidade das empresas. “Estar aqui é muito importante para trocar experiências com profissionais de diferentes áreas e conhecer soluções que já estão sendo desenvolvidas e que podem inspirar novas iniciativas. Esse contato nos ajuda a enxergar possibilidades, entender outros pontos de vista e identificar caminhos que façam sentido para a nossa realidade em Maringá. Voltamos com novos conhecimentos e referências que podem contribuir para aprimorar nossas práticas e transformar as discussões sobre sustentabilidade em ações concretas, alinhadas aos desafios e às oportunidades da nossa região”, destaca.
Intergeracionalidade – Diferentes gerações, um só resultado: performance sustentável
A convivência entre diferentes gerações reúne experiências, conhecimentos e perspectivas que podem fortalecer o desempenho das equipes. A oficina propôs uma reflexão sobre como valorizar essa diversidade, promover a colaboração entre profissionais e construir ambientes de trabalho mais inclusivos e sustentáveis.
Guilherme Batista Gue, da Tropical Cacau, destaca que escolheu participar da Oficina porque é uma realidade do seu dia a dia profissional. Segundo Gue: “hoje trabalhamos com diversas pessoas, dos 18 aos 65 anos. Entender as forças de cada uma das gerações, é fundamental para que a gente consiga aproveitar o melhor que cada um dos nossos colaboradores pode oferecer, valorizando individualmente as potencialidades de cada pessoa”.
ODS 18 – Igualdade Étnico-Racial
A igualdade étnico-racial é fundamental para a construção de uma sociedade mais justa e inclusiva. A oficina discutiu a importância de reconhecer desigualdades, enfrentar práticas discriminatórias e desenvolver ações que ampliem a equidade e as oportunidades nas organizações. A iniciativa dialoga com a agenda brasileira de ampliação do debate sobre igualdade racial, que inclui a adoção voluntária do ODS 18.
“Participar desta oficina foi uma escolha estratégica. Entendo que é um tema que precisa ser valorizado, pois o ODS 18 tem que ser incluído cada vez mais no nosso dia a dia, em todas as instituições. O Congresso Sesi ODS nos permite ampliar nosso olhar para mapeamento de ações e formas de olhar com empatia para o tema. O que estou aprendendo neste espaço, levarei para o meu dia a dia”, afirma Stella Marina, do ICI.
Ações Sociais na Prática: experiências e Oportunidades para Indústrias
A responsabilidade social ganha força quando se traduz em iniciativas capazes de responder às necessidades das comunidades e gerar resultados concretos. A oficina apresentou caminhos para estruturar ações sociais, identificar oportunidades de atuação e aproximar as estratégias empresariais dos desafios da sociedade.
Para Karina Moreira, da Associação dos Amigos do HC, a atividade foi uma oportunidade de conhecer alternativas para aproximar os projetos do terceiro setor das empresas, especialmente por meio de incentivos fiscais. “Participei da oficina porque trabalho com ações sociais e projetos culturais e queria ampliar meus conhecimentos nessa área. Conheci possibilidades que ainda não dominava, principalmente sobre a dedução do Imposto de Renda e como as empresas podem investir em projetos sociais. Esse tipo de informação ajuda a criar conexões entre a indústria e as organizações da sociedade civil, aproximando as necessidades das comunidades das oportunidades de investimento social das empresas”, destaca.
Sistema B – Ampliando a maturidade ESG e de sustentabilidade na prática: desafios reais, respostas coletivas e caminhos de implementação
Incorporar a sustentabilidade à gestão exige planejamento, compromisso e capacidade de transformar objetivos em práticas consistentes. A oficina abordou desafios da implementação da agenda ESG e caminhos para fortalecer a maturidade das organizações, com atenção à construção coletiva de soluções e à integração de critérios socioambientais à estratégia empresarial.
Cassiano Ferreira, Metatimbre Artificial destaca as ‘conexões’. “Esta é a palavra que entrega o que estou vendo neste primeiro dia de Congresso Sesi ODS. Quando abordamos o Sistema B no setor industrial, é uma forma de construir um sistema de valores. Ou seja, temos sim que focar em faturamento, serviços e estratégica. Mas é importante que em sintonia a isto, possamos entregar nossos processos e projetos alinhados aos impactos sociais, com foco na construção de uma sociedade – e setor industrial – mais sustentáveis e valorosos para todas as pessoas”, afirma.
Objetivos de Desenvolvimento Interior (ODIs): uma abordagem para acelerar o alcance dos ODS
As transformações necessárias ao desenvolvimento sustentável também dependem de competências humanas, como empatia, pensamento crítico, colaboração e capacidade de mobilização. A oficina explorou a relação entre essas habilidades e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), com foco no papel das pessoas na construção de soluções para desafios coletivos.
Para Diego Baptista, facilitador na temática ODI, o avanço dessa agenda depende de mudanças na forma de pensar e agir. “Para avançarmos na solução dos problemas sociais e ambientais, precisamos transformar modelos mentais, atitudes, comportamentos, crenças e visões de mundo. Já temos tecnologia, recursos e políticas públicas disponíveis, mas ainda faltam competências humanas capazes de impulsionar mudanças efetivas. Hoje, apenas 14% a 15% das metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável estão no caminho para serem alcançadas. Por isso, precisamos desenvolver habilidades transformadoras que fortaleçam as lideranças, melhorem as relações entre pessoas e organizações e contribuam para soluções que modifiquem os sistemas, em vez de apenas reproduzir padrões que não resolvem os problemas”, afirma.
O facilitador também destaca a importância de iniciativas como o Congresso Sesi ODS para estimular essa reflexão. “Reunir pessoas comprometidas não apenas com os indicadores de seus projetos, mas também com a transformação individual necessária para gerar impactos positivos na sociedade, é fundamental para avançarmos nessa agenda. Proporcionar esse debate é uma iniciativa de vanguarda, que incentiva as pessoas a olharem para si mesmas e a reconhecerem como podem transformar, por dentro, aquilo que desejam impactar fora”, conclui.
Programa Sesi Descarbonização
A redução das emissões de gases de efeito estufa exige conhecimento técnico, planejamento e decisões alinhadas à realidade de cada operação industrial. A oficina apresentou o Programa Sesi Descarbonização e sua contribuição para apoiar as indústrias na identificação de oportunidades e na adoção de medidas voltadas à redução de emissões.
E a experiência na oficina é elogiada por Pâmela Dal’In, do Senatran. “Participar aqui oficina foi muito importante para nós, porque estamos planejando ampliar as ações sociais da empresa no próximo ano, e conhecer melhor as possibilidades de incentivos fiscais nos ajuda a identificar caminhos para colocar essas iniciativas em prática. Também aproveitei a oportunidade para aprender mais sobre descarbonização e entender como podemos avançar nessa agenda. O evento está sendo muito enriquecedor, tanto pelo conhecimento compartilhado nas oficinas quanto pela oportunidade de conhecer novas iniciativas. Para o segundo dia, a expectativa é grande, especialmente pela programação de palestras”.
ODS 3 e 8 em Ação: como seria uma empresa verdadeiramente promotora de Saúde Mental?
A promoção da saúde mental no trabalho está relacionada à qualidade de vida, à prevenção de riscos psicossociais e à construção de ambientes profissionais saudáveis. A oficina conectou o ODS 3, voltado à saúde e ao bem-estar, ao ODS 8, que trata do trabalho decente e do crescimento econômico, para discutir práticas organizacionais que valorizem a saúde dos trabalhadores.
Para Patrícia Bittencourt, Engenheira de Segurança do Trabalho da Leão Alimentos, a troca de experiências entre profissionais de diferentes empresas é essencial para compreender desafios comuns e compartilhar soluções aplicáveis à rotina de trabalho. “A oportunidade que o Sesi oferece é muito importante, porque nos permite conversar com colegas que, muitas vezes, enfrentam as mesmas dificuldades que nós. Durante a discussão sobre saúde mental, percebemos que, mesmo em empresas de portes diferentes e com profissionais de áreas e funções distintas, os desafios são muito semelhantes. Esse espaço de diálogo e troca é muito produtivo, porque permite compartilhar experiências, dar voz aos profissionais e mostrar o que cada empresa tem feito na prática para promover a saúde mental no ambiente de trabalho”, destaca.
Retratos e Relatos das Migrações nas Indústrias do Paraná
A presença de trabalhadores migrantes nas empresas traz à tona questões relacionadas ao acolhimento, à diversidade cultural e à igualdade de oportunidades. A oficina propôs conhecer experiências e perspectivas sobre as migrações na indústria paranaense, com atenção aos desafios de integração profissional e às práticas que favorecem ambientes de trabalho mais inclusivos.
Para Talita de Souza, representante da Organização Internacional para as Migrações (OIM), a parceria com o Sistema Fiep é uma referência na promoção da inclusão socioeconômica de migrantes e refugiados no mercado de trabalho. “Ficamos muito honrados e felizes com essa parceria, porque o Sistema Fiep é pioneiro no trabalho com a pauta migratória e na inclusão de migrantes e refugiados no ambiente profissional. O movimento que existe no Paraná é um exemplo de modelo a ser seguido por todo o país. Trazer essa discussão para o Congresso Sesi ODS, em conexão com a Agenda 2030 e a agenda ESG, é essencial para ampliar o engajamento do setor privado. A diversidade também faz parte da realidade da indústria paranaense, e promover a inclusão de pessoas migrantes contribui para o desenvolvimento local e para a economia do estado”, destaca.
A representante da OIM também ressalta a importância de manter o tema em evidência e ampliar o envolvimento das empresas na construção de oportunidades para a população migrante. Para ela, espaços de diálogo como o congresso favorecem o reconhecimento dessa pauta e incentivam o setor privado a participar ativamente desse movimento.
Conhecimento para orientar novas iniciativas
Ao reunir temas ambientais, sociais e de gestão, o Congresso Sesi ODS busca ampliar o repertório de profissionais e organizações que atuam com sustentabilidade. A proposta é favorecer o compartilhamento de conhecimentos e contribuir para que as discussões se traduzam em iniciativas compatíveis com os desafios e as possibilidades de cada organização.
Hugo Molina, Superintendente do Sesi Paraná, comenta que o encerramento do primeiro dia representa a satisfação de ver profissionais de diferentes áreas e organizações reunidos em torno de desafios comuns. “Encerramos este primeiro dia com muita satisfação ao ver o envolvimento do público, a troca de experiências e o interesse em buscar caminhos para fortalecer a sustentabilidade nas organizações. As oficinas mostraram que há espaço para aprender, compartilhar dificuldades e conhecer práticas que podem inspirar novas iniciativas. Esse é um dos propósitos do Congresso Sesi ODS: aproximar pessoas, conectar conhecimentos e estimular ações concretas que contribuam para o desenvolvimento sustentável. A expectativa é que o segundo dia amplie ainda mais essas conexões e fortaleça o compromisso das organizações com essa agenda”, destaca.
Durante o dia, também aconteceu um almoço com representantes da OIM, para estreitar laços estratégicos em benefício da idústria do Paraná. E, para fechar o dia, o Conselhor Temático de Responsabilidade Social se reuniu, a fim de potencializar ainda mais ações em prol da pauta.
A programação continua nesta quinta-feira (29), com o dia principal do Congresso. A agenda reúne mostra de projetos, palestras sobre governança, painel com representantes da indústria e reconhecimentos ligados à descarbonização, à inclusão de pessoas migrantes e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
O Congresso Sesi ODS 2026 é realizado pelo Sistema Fiep no Campus da Indústria, em Curitiba, e integra as iniciativas de disseminação de conhecimentos e práticas relacionadas à sustentabilidade e à responsabilidade das organizações.



