Egresso do curso Técnico em Mecatrônica do Senai Paraná, Erán Martínez Ramos disputa a WorldSkills Xangai 2026 na ocupação de Design de Mídias Digitais Interativas
Faltam poucas semanas para a 48ª edição da WorldSkills Internacional, a maior competição de profissões técnicas do mundo, que reunirá mais de 1.400 competidores de mais de 70 países em Xangai, na China, entre os dias 22 e 27 de setembro. Entre os cinco paranaenses que vão defender o Brasil na competição está Erán Martínez Ramos, que vai disputar a ocupação #45 – Design de Mídias Digitais Interativas.
Mas o caminho que agora leva Erán de Curitiba a Xangai, a cerca de 19 mil quilômetros de distância, não começou no design. À primeira vista, a Mecatrônica, área em que se formou no Senai Dr. Celso Charuri, em Curitiba, parece distante do Design de Mídias Interativas Digitais. Erán, porém, encontrou um ponto de contato entre os dois universos: as Interfaces Homem-Máquina (IHMs), telas pelas quais operadores comandam e acompanham equipamentos industriais.
“Ela é como se fosse uma mídia interativa, em que o operário vai interagir para fazer uma operação na máquina. Fazendo o design dela, a gente consegue deixar uma interface mais amigável para o operário e assim evoluir na questão da mecatrônica mesmo. Foi uma área que eu me interessei por meio do treinamento”, explica.
Durante a preparação, uma nova porta se abriu: a oportunidade de testar uma modalidade proposta pela WorldSkills China, que reúne design gráfico, produção de vídeo, animação e lógica de software, tudo a serviço da comunicação visual e da experiência do usuário.
Do Paint aos softwares profissionais
Quando iniciou essa trajetória, Erán Martínez Ramos não sabia usar um software de design. Desenhava no Paint, o programa básico do Windows. Hoje, ele domina ferramentas profissionais de edição gráfica, vídeo e design de interfaces, e é a partir da sua tela de trabalho que o Brasil tenta uma medalha na maior competição de educação profissional do mundo.
“Hoje em dia, já sei mexer em toda a questão dos softwares. Tenho evoluído bastante com o decorrer do treinamento”, conta. Parte do mérito, segundo ele, é do técnico que o acompanha desde o início: “Tenho convivido com bons professores. O meu técnico, Guilherme, tem me ajudado muito”, referência a Guilherme Felipe Pires, expert que segue com Erán inclusive nas viagens internacionais de preparação.
A ocupação de Erán reúne três frentes de trabalho: mídia estática (pôsteres, cartazes, cartões), mídia móvel (vídeos curtos) e mídia interativa (aplicativos com botões, formulários e até jogos). A avaliação leva em conta desde a harmonia entre cores até a estrutura de um texto ou a relevância da mensagem transmitida ao usuário.
O bronze que abriu a porta para o mundial
O primeiro grande teste dessa nova modalidade aconteceu em um amistoso internacional organizado pelo Instituto Técnico de Comunicações de Guangzhou, na China, que simulou de maneira remota a disputa da nova ocupação. Na ocasião, em junho do ano passado, Erán competiu contra representantes da China, Armênia, Etiópia e Nigéria e trouxe o bronze para o Brasil, atrás de China (ouro) e Armênia (prata).
“Mesmo sendo um amistoso, essa foi minha primeira medalha em uma competição de nível mundial, por isso, fiquei muito feliz. Essa medalha é muito especial, não apenas pelo conhecimento que me proporcionou, mas também pela vivência cultural, pelos desafios enfrentados e pela inspiração gerada”, contou Erán, na ocasião.
O resultado não passou despercebido. Pouco depois, o Senai Nacional confirmou, por indicação unânime, que seria Erán a representar o Brasil em Xangai na modalidade que dialoga com a transformação digital da indústria e com a demanda crescente por soluções criativas, tecnológicas e centradas na experiência do usuário.
A preparação internacional continuou mesmo a milhares de quilômetros da China. Erán participou de dois simulados online realizados no horário chinês, o que significou competir durante a madrugada no Brasil. Além do cansaço, havia a necessidade de se comunicar em inglês. “Foi um pouco tenso, para ser bem sincero, porque às vezes o inglês é meio ruim, mas, em geral, foi uma experiência boa para conseguir treinar e aplicar as habilidades”, conta.
Em julho deste ano, a preparação ganhou um capítulo presencial. Entre os dias 20 e 27, Erán viajou a Guangzhou ao lado do seu técnico treinador, Guilherme Felipe Pires, para um novo intercâmbio técnico com a equipe chinesa, dessa vez com o objetivo de reforçar a reta final rumo ao mundial. “Participar deste intercâmbio internacional na China foi uma experiência transformadora, tanto do ponto de vista técnico quanto pessoal. Tive a oportunidade de competir em um ambiente de alto nível, conhecer novas metodologias de trabalho e entender como outros países preparam seus competidores para desafios internacionais”, relatou Erán.
Guilherme, que acompanha Erán desde o início da preparação, viu na viagem uma chance rara de comparar de perto os dois modelos de formação. “Mais do que acompanhar o desempenho do nosso competidor, tivemos acesso a diferentes metodologias de treinamento, critérios de avaliação e práticas de organização utilizadas por uma das maiores referências mundiais em educação profissional e competições de excelência”, avaliou o treinador.
Entre a tensão e o sonho do ouro
Apesar da rotina puxada, entre criar pôsteres, produzir vídeos e desenvolver mídias interativas repetidas vezes para aperfeiçoar o desempenho, Erán vê no processo uma oportunidade de formação que ultrapassa a própria competição. “É muito bom estar competindo pela WorldSkills. É uma competição muito legal, que traz uma formação muito boa para o aluno”, diz. “Em questão profissional também tem me trazido muitas boas oportunidades. Conhecimento também.”
À medida que o Mundial se aproxima, a confiança convive com a tensão de quem sabe que ainda há detalhes a aperfeiçoar: “está legal, meio tenso ainda, porque ainda falta algumas coisinhas para treinar, mas estou confiante que a gente vai conseguir ter um bom resultado lá na China.” E, quando fala do que quer trazer de volta para casa, a meta é clara: “quero conseguir trazer uma medalha de ouro para o Brasil e representar toda essa nação”.
Rumo a Xangai
Na disputa mundial a China conta com a maior delegação da competição e o Brasil com a segunda maior. Entre os jovens que irão representar o Brasil, além de Erán, o Paraná também irá contar com Davi da Silva Aleixo Ignacio (Construção em Alvenaria), Gabriel Henrique Gobato de Oliveira (Computação em Nuvem), Kaique William Ventura Camacho (Tecnologia Optoeletrônica) e Kauan Henrique Martinello Nazario (Tecnologia Automotiva).



