Em Brasília, entidade defendeu concessão voltada à ampliação da capacidade ferroviária, investimentos em obras estruturantes e maior competitividade logística para a indústria da região Sul.

A Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) apresentou, nesta quinta-feira (16), em Brasília, durante audiência pública promovida pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), seu posicionamento sobre a nova concessão ferroviária da Malha Sul. Representada pelo superintendente João Arthur Mohr, a entidade defendeu uma modelagem capaz de ampliar a competitividade da infraestrutura ferroviária e atender às demandas atuais e futuras da indústria estadual e da região Sul. Além da manifestação realizada durante a audiência, a Fiep também protocolará formalmente por escrito todas as suas contribuições na consulta pública que a ANTT manterá aberta até 10 de agosto.

Entre as principais propostas apresentadas pela Federação estão a manutenção da divisão da atual Malha Sul em três corredores regionais, incluindo o corredor Paraná-Santa Catarina; a previsão de futura integração dessa malha operacional com a Ferroeste; a criação de indicadores de desempenho voltados ao atendimento dos usuários; e a garantia de que os recursos gerados pelo corredor Paraná-Santa Catarina sejam prioritariamente investidos na própria malha enquanto persistirem gargalos locais, antes de serem destinados a outros trechos ferroviários.

Em relação a esses gargalos, a entidade defende que sejam incluídas no edital de concessão obras estruturantes consideradas essenciais para ampliar a capacidade da ferrovia e solucionar problemas históricos do Paraná. Em especial, a construção da ligação ferroviária entre Guarapuava, Irati e Lapa, para superar o gargalo da Serra da Esperança, e a implantação do Contorno Ferroviário de Curitiba, contemplando a implantação do Contorno Oeste prioritariamente e, em seguida, o Contorno Leste.

Outras propostas incluem a ampliação dos pátios de cruzamento para permitir a operação de trens mais longos; a previsão contratual para permitir aportes públicos e privados em novos investimentos ferroviários; a revisão das projeções de demanda para cargas como contêineres, fertilizantes, cimento, calcário e celulose; estudos sobre a capacidade da Serra do Mar e alternativas futuras de expansão da infraestrutura; e maior transparência quanto à renovação e disponibilidade de locomotivas e vagões.

Oportunidade histórica

Durante a audiência, Mohr destacou que, para a Fiep, a nova concessão representa uma oportunidade histórica para transformar a ferrovia em um instrumento efetivo de desenvolvimento econômico, fortalecendo a logística, reduzindo custos para o setor produtivo e ampliando a competitividade da indústria paranaense e da região Sul. Conforme o posicionamento defendido pela entidade, a futura concessão deve priorizar investimentos estruturantes, metas de desempenho e uma infraestrutura preparada para acompanhar o crescimento da produção e da demanda logística nas próximas décadas.

O encontro em Brasília, nesta quinta, abriu a série de sessões que serão realizadas pela ANTT no processo de audiência pública para debater a concessão da Malha Sul. Nas próximas semanas, acontecem sessões regionais – com eventos em Curitiba, no dia 27; em Porto Alegre (RS), no dia 29; e em Florianópolis (SC), no dia 31 – que também terão a participação da Fiep.

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