Digitalização amplia oportunidades de automação e eficiência na produção, mas exige profissionais qualificados. Trilhas de Aperfeiçoamento do Senai Paraná oferecem formação progressiva em áreas estratégicas da tecnologia
A inteligência artificial, a computação em nuvem e a cibersegurança já não são tecnologias de interesse exclusivo das grandes indústrias. Em fábricas de pequeno e médio porte, essas soluções podem contribuir para melhorar o planejamento da produção, automatizar tarefas, organizar informações e proteger sistemas essenciais à operação. Mas a transformação digital traz um desafio que vai além do investimento em equipamentos e softwares: contar com profissionais preparados para usar essas ferramentas de maneira eficiente e segura.
Dados da pesquisa TIC Empresas 2025, do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), mostram que a adoção de inteligência artificial avançou entre as pequenas empresas brasileiras, passando de 10% para 15% entre 2024 e 2025. Nas grandes organizações, a utilização chegou a 50%. Embora os números contemplem diferentes setores econômicos, eles evidenciam uma diferença de acesso e utilização que também merece atenção no ambiente industrial.
Para Cleverson Calegari, especialista de Área de Educação em Tecnologia da Informação do Senai Paraná, ainda existe a percepção de que conhecimentos especializados em inteligência artificial, computação em nuvem e cibersegurança são necessários apenas em grandes organizações. Entretanto, à medida que empresas menores incorporam sistemas conectados, automatizam atividades e utilizam plataformas digitais, essas competências passam a fazer parte de sua realidade.
“Na verdade, todo mundo deveria ter um pouquinho de cada conhecimento”, afirma Calegari, ao defender a importância de compreender os fundamentos dessas tecnologias, mesmo fora das equipes especializadas em TI.
Na indústria, essa necessidade aparece em diferentes etapas da operação. Sistemas de gestão integram informações sobre compras, estoques e produção. Já equipamentos conectados podem gerar dados sobre desempenho e manutenção, enquanto ferramentas de inteligência artificial oferecem possibilidades de análise e automação. Quanto maior a dependência dessas soluções, mais importante se torna garantir seu funcionamento e proteger as informações utilizadas.
Inteligência artificial pode apoiar decisões e automatizar processos
Uma das oportunidades para pequenas e médias indústrias está no uso da inteligência artificial para organizar e analisar informações que já fazem parte da rotina produtiva.
Dados de equipamentos, registros de manutenção, históricos de produção e informações sobre estoques podem ser utilizados para identificar padrões, acompanhar indicadores e apoiar decisões. Dependendo da qualidade e da disponibilidade desses dados, sistemas de IA também podem contribuir para detectar anomalias e antecipar necessidades de manutenção.
Calegari destaca que o potencial da tecnologia vai além das ferramentas generativas popularizadas nos últimos anos. Entre as aplicações estão o desenvolvimento de softwares, a automação de atividades e a criação de agentes inteligentes capazes de executar tarefas a partir de objetivos previamente definidos.
“Hoje a gente tem uma infinidade de utilizações para IA, a ponto dela poder gerar software”, explica o especialista, ressaltando que o profissional precisa saber orientar a ferramenta e compreender o código produzido.
Outra possibilidade está na preparação e no processamento de informações. Para utilizar inteligência artificial na análise de grandes volumes de dados, é necessário primeiro organizar os registros, corrigir inconsistências e estruturar as bases que serão processadas.
Esse conhecimento pode ser aplicado, por exemplo, na análise de indicadores de produção, no acompanhamento de perdas de matéria-prima e na identificação de oportunidades de melhoria dos processos industriais.
Para atender a essas demandas, a Trilha de Inteligência Artificial do Senai Paraná contempla conteúdos relacionados à IA generativa, criação de agentes inteligentes, codificação assistida, automação, machine learning e preparação e análise de dados, incluindo aplicações voltadas à indústria.
Computação em nuvem amplia possibilidades para a gestão industrial
Outra tecnologia que pode beneficiar indústrias de diferentes portes é a computação em nuvem. Com ela, empresas podem contratar recursos de armazenamento, processamento e sistemas digitais sem necessariamente manter toda a infraestrutura em servidores próprios.
A TIC Empresas 2025 mostra que 34% das pequenas empresas brasileiras contrataram capacidade de processamento em nuvem, enquanto entre as grandes organizações esse percentual chegou a 55%. Os dados abrangem diferentes setores, mas ajudam a demonstrar como a utilização desses recursos varia conforme o porte empresarial.
Na indústria, a nuvem pode facilitar a integração de informações entre produção, estoque, manutenção e administração. Também permite ampliar recursos computacionais conforme a necessidade de determinados sistemas, desde que a infraestrutura seja planejada adequadamente.
Calegari explica que um dos benefícios está na possibilidade de ajustar a capacidade de processamento quando aumenta a demanda sobre uma aplicação. Em determinadas arquiteturas, é possível distribuir os acessos entre diferentes servidores, evitando a sobrecarga de um único equipamento.
Mas o aproveitamento desses recursos exige conhecimentos sobre configuração, custos, segurança e funcionamento das plataformas.
Pensando nisso, a Trilha de Cloud Computing do Senai Paraná parte dos conceitos fundamentais e avança para a operacionalização de serviços, o dimensionamento de recursos e a definição de arquiteturas em nuvem para ambientes empresariais. A formação também aborda aplicações de inteligência artificial e machine learning nesses ambientes.
Cibersegurança protege dados e a continuidade da produção
À medida que sistemas administrativos, equipamentos e processos industriais se tornam mais conectados, também aumenta a necessidade de proteger informações e controlar os acessos às redes corporativas.
Um incidente de segurança pode comprometer registros de produção, informações comerciais, sistemas de gestão e, dependendo da estrutura atingida, provocar interrupções operacionais. Para pequenas e médias indústrias, que muitas vezes trabalham com equipes reduzidas e prazos de entrega ajustados, a indisponibilidade de sistemas pode representar um problema significativo.
Segundo a TIC Empresas 2025, 42% das pequenas empresas brasileiras contrataram softwares de segurança em nuvem, percentual que chegou a 76% entre as grandes organizações. Embora o indicador não seja exclusivo da indústria, a diferença mostra que a adoção de ferramentas de proteção também varia de acordo com o porte das empresas.
Para Calegari, um dos pontos que exigem atenção é a engenharia social, técnica utilizada por criminosos para manipular pessoas e conseguir acesso indevido a informações ou sistemas.
O especialista explica que um ataque pode começar com uma mensagem fraudulenta, um pedido de acesso ou uma tentativa de convencer um trabalhador a compartilhar informações. Nesses casos, a vulnerabilidade explorada não está necessariamente no equipamento, mas na falta de conhecimento sobre os riscos.
Por isso, a proteção digital precisa envolver tanto medidas técnicas quanto a preparação dos profissionais. Controle de acessos, atualização de sistemas, proteção dos dispositivos utilizados pelos trabalhadores e orientação sobre mensagens suspeitas são algumas das medidas relevantes.
Na Trilha de Cibersegurança do Senai Paraná, a formação começa pelos conceitos de ataques, ameaças e engenharia social e avança para a proteção de equipamentos, redes e conexões externas.
A proposta é desenvolver conhecimentos aplicáveis a ambientes de diferentes níveis de complexidade, desde dispositivos individuais e pequenos escritórios até empresas e indústrias.
Trilhas de Aperfeiçoamento preparam profissionais para diferentes desafios
A ampliação do uso dessas tecnologias reforça uma necessidade comum às indústrias: desenvolver competências para acompanhar a transformação dos processos produtivos.
Foi justamente a dificuldade de identificar por onde começar a qualificação que motivou a estruturação das Trilhas Senai de Aperfeiçoamento em Tecnologia da Informação.
Segundo Calegari, estudantes e profissionais interessados em áreas como inteligência artificial e cibersegurança frequentemente procuravam orientação porque não sabiam quais conhecimentos precisavam adquirir primeiro.
“Eles vinham para mim e perguntavam: ‘Eu quero entrar na área de cibersegurança, eu quero entrar na área de IA, mas por onde começo?’. Muitos não sabiam qual tipo de curso precisavam fazer primeiro”, relata.
A partir dessa demanda, o Senai Paraná organizou percursos de formação que permitem avançar gradualmente dos fundamentos até aplicações mais especializadas. A proposta contempla tanto pessoas que desejam ingressar no setor de tecnologia quanto profissionais que já atuam na área e precisam atualizar ou aprofundar seus conhecimentos.
“Na maioria das trilhas, o aluno vai sair da estaca zero para uma utilização evolutiva até chegar a uma parte avançada dos treinamentos”, resume Calegari.
As formações incluem conteúdos e recursos educacionais vinculados a ecossistemas tecnológicos como Cisco e AWS Academy, conforme a área de conhecimento.
Para a indústria, a iniciativa representa uma oportunidade de desenvolver profissionais capazes de compreender riscos digitais, utilizar recursos de infraestrutura tecnológica e aplicar ferramentas de inteligência artificial em situações concretas.
A qualificação também pode contribuir para aproximar as áreas de tecnologia e produção, permitindo que soluções digitais sejam avaliadas a partir das necessidades reais das fábricas.
Em um cenário no qual a competitividade industrial depende cada vez mais da capacidade de produzir com eficiência, utilizar dados e manter operações seguras, o domínio dessas tecnologias deixa de ser uma preocupação restrita às grandes organizações. Para pequenas e médias indústrias, investir no desenvolvimento de competências digitais pode ser um passo importante para modernizar processos, reduzir vulnerabilidades e aproveitar oportunidades de inovação.
Para saber mais sobre as trilhas de aperfeiçoamento do Senai Paraná clique aqui: senaipr.com.br/trilhas



