Fiep alerta que empresas devem antecipar preparação para enfrentar mudanças na tributação sobre o consumo de maneira mais tranquila; cartilha e conteúdos especiais apoiam indústrias nesse processo
A Reforma Tributária costuma ser associada às áreas contábil e fiscal das empresas. No entanto, seus reflexos devem alcançar diferentes aspectos da gestão empresarial, exigindo atenção também de lideranças responsáveis pelo planejamento estratégico, financeiro, comercial e de tecnologia.
Embora o novo sistema tributário seja implementado gradualmente até 2033, especialistas alertam que as empresas não devem esperar a plena entrada em vigor das mudanças para iniciar sua preparação. A fase de transição exigirá convivência simultânea entre o modelo atual e os novos tributos, o que aumenta a complexidade operacional e demanda revisão de processos internos.
Contratos e preços
Um dos pontos de atenção está nos contratos de médio e longo prazo. Muitos acordos comerciais foram firmados considerando a lógica dos tributos atuais, que serão substituídos gradualmente pela CBS e pelo IBS. Segundo análise do coordenador do Conselho Temático de Assuntos Tributários da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), Guilherme Hakme, contratos já devem ser avaliados para evitar desequilíbrios financeiros decorrentes das mudanças na forma de incidência e apuração dos tributos.
A formação de preços também tende a exigir análises mais cuidadosas. Durante a transição, as empresas conviverão com tributos calculados por metodologias diferentes. Enquanto a CBS será calculada por fora do preço, tributos como o ICMS permanecem temporariamente em vigor com a sistemática atual. Essa coexistência pode gerar desafios adicionais para a precificação, especialmente em cadeias produtivas longas e operações realizadas em diferentes estados.
Tributação no destino e investimentos
Outro aspecto que merece atenção é a tributação no destino, um dos pilares do novo modelo. Com a reforma, o local de consumo passa a ter papel central na definição da arrecadação dos tributos.
Uma cartilha especial sobre a Reforma Tributária produzida pela Fiep recomenda que as empresas revisem contratos, cadastros fiscais e processos de faturamento para garantir que endereços de entrega e informações sobre as operações estejam corretamente registrados. Erros nesses dados poderão resultar em recolhimentos indevidos de IBS e CBS ou até mesmo em autuações futuras.
Os investimentos produtivos também entram na lista de temas estratégicos. O novo sistema prevê crédito integral e imediato de IBS e CBS sobre bens de capital utilizados na atividade econômica. Na prática, isso significa que projetos de modernização, ampliação da capacidade produtiva ou aquisição de máquinas poderão ter uma dinâmica tributária diferente da atual. Avaliar o momento dos investimentos durante a transição pode contribuir para otimizar o fluxo de caixa e fortalecer a competitividade das empresas.
Adaptação tecnológica
Além das decisões relacionadas a contratos e investimentos, a adaptação tecnológica será determinante para uma transição segura. Desde 2026, as empresas já passaram a destacar CBS e IBS nos documentos fiscais eletrônicos, antecipando a necessidade de adequação dos sistemas. A recomendação é que as organizações revisem seus sistemas de gestão, fluxos fiscais e processos internos o quanto antes. A familiaridade com as novas regras desde a fase inicial tende a facilitar a convivência entre os dois regimes tributários e reduzir o risco de inconsistências operacionais nos próximos anos.
Diante desse cenário, a Reforma Tributária deixa de ser um tema restrito à área fiscal e passa a integrar a agenda estratégica das empresas. Planejamento, governança, tecnologia, contratos e capacitação serão fatores cada vez mais importantes para que a indústria atravesse o período de transição com segurança e previsibilidade.
Acesse os conteúdos especiais
Para ajudar as indústrias a compreender, de forma clara e prática, as principais mudanças trazidas pela reforma, o Conselho Temático de Assuntos Tributários da Fiep produziu uma cartilha especial. Além de explicar os novos tributos sobre o consumo, o material destaca pontos que impactam diretamente a atividade produtiva. A Fiep também disponibiliza as gravações de um webinar e um curso completo sobre a reforma, em que especialistas detalham as regras gerais e princípios orientadores, além de regimes gerais, diferenciados e específicos do novo sistema de tributação sobre o consumo do país.
Todos esses conteúdos podem ser acessados gratuitamente clicando aqui.
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