Da inovação em saúde à transformação comunitária, organizações mostram como propósito, competitividade e desenvolvimento social podem avançar juntos.

A 20ª reunião do Conselho Temático de Responsabilidade Social da Fiep, coordenada por Fernando Mizote, reuniu representantes da indústria, organizações sociais e especialistas no Campus da Indústria, em Curitiba, em 24 de junho, para discutir como a responsabilidade social vem se consolidando como elemento estratégico para a competitividade, a inovação e o desenvolvimento sustentável. O encontro apresentou experiências de organizações que vêm integrando impacto social, governança e sustentabilidade às suas estratégias de negócio, além de iniciativas voltadas à transformação de comunidades e à formação de novas gerações.

A abertura dos trabalhos trouxe uma reflexão sobre a evolução da chamada Economia de Impacto. Representante do Comitê Municipal de Economia de Impacto de Curitiba, Ana Carolina Vermelho Martins destacou que a geração de valor social e ambiental deixou de ser apenas um diferencial reputacional para se tornar uma exigência crescente do mercado. De acordo com dados apresentados pela palestrante, o mercado global de investimentos de impacto já supera US$ 1,5 trilhão e, no Brasil, a Estratégia Nacional de Economia de Impacto (Enimpacto) estabeleceu a meta de mobilizar R$ 120 bilhões em investimentos e formalizar pelo menos 7.800 negócios de impacto até 2032. Nesse contexto, ressaltou que empresas interessadas em ampliar acesso a mercados, investimentos e cadeias internacionais precisam demonstrar resultados concretos em sustentabilidade, governança e impacto socioambiental.

A conexão entre propósito e inovação também esteve presente na apresentação do Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP). A gerente de Estratégia, Ana Carolina Sbalqueiro Lopes, explicou que a instituição foi criada há 15 anos por meio de uma parceria entre o Tecpar e a Fiocruz. Atualmente, o instituto atua como organização privada sem fins lucrativos voltada ao desenvolvimento tecnológico, à inovação e à produção industrial para a área da saúde. Ao apresentar a estratégia de responsabilidade social da instituição, a executiva destacou uma abordagem baseada na promoção da saúde em sentido amplo, contemplando consumidores, colaboradores, comunidade e meio ambiente. A atuação está estruturada nos princípios ESG e inclui iniciativas de gestão ambiental, diversidade, inclusão, qualidade de vida, formação de talentos e fortalecimento da governança corporativa. Entre os indicadores apresentados, o IBMP conta atualmente com 169 colaboradores, dos quais aproximadamente 50 atuam como mestres ou doutores em atividades de pesquisa e inovação.

O compromisso com o desenvolvimento social foi tema da apresentação da Votorantim Cimentos. Fernanda Ramos, consultora de Transformação Social da companhia, demonstrou como a organização desenvolve suas iniciativas sociais a partir de três pilares: conexão com o negócio, desenvolvimento local, e relacionamento com as partes interessadas. Entre as metas estabelecidas para 2030 está o engajamento de pelo menos 20% dos cerca de 6 mil colaboradores da empresa em ações de voluntariado, com dedicação mínima de seis horas anuais. Outro objetivo é fazer com que 90% das unidades da companhia mantenham programas sociais estruturados. Somente em 2025, os investimentos sociais da empresa somaram quase R$ 20 milhões. A principal iniciativa apresentada pela Votorantim Cimentos é a Rede Transformar, criada para ampliar o impacto positivo nos territórios onde a companhia atua. O programa concentra esforços em duas frentes prioritárias: habitação e bioeconomia. A meta é beneficiar 700 famílias com melhorias habitacionais e apoiar 38 negócios de bioeconomia até 2030. Até janeiro de 2026, já haviam sido realizadas 116 melhorias habitacionais em diferentes cidades brasileiras e apoiados 10 projetos de bioeconomia na Amazônia.

Fechando a programação técnica, a Organização de Desenvolvimento do Potencial Humano (ODPH) apresentou um exemplo de transformação social construída a partir da atuação comunitária. Fundada em 2009, a entidade atua na Vila Torres, em Curitiba, e desenvolve projetos voltados à educação e ao fortalecimento de oportunidades para crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social. Ao longo de sua trajetória, a organização já impactou mais de 4 mil pessoas e atendeu cerca de 700 crianças e adolescentes. Kauanna Batista Ferreira Toppa, presidente da entidade, apresentou iniciativas como o programa Aprendiz em Ação, que atende crianças por meio de atividades educacionais, culturais e de desenvolvimento pessoal realizadas ao longo de todo o ano. Já o SemeAção foi criado para dar continuidade ao processo formativo dos adolescentes, trabalhando temas como empreendedorismo, mercado de trabalho e acesso ao ensino superior. A presidente também destacou que todo esse trabalho é realizado em uma estrutura bastante enxuta, composta por uma sala de aula, cozinha e refeitório, mantida por apenas cinco colaboradores. Mesmo com recursos limitados, a organização desenvolve um trabalho consistente de acompanhamento e formação de longo prazo. Durante a apresentação, foi reforçado que a ODPH permanece aberta ao apoio de empresas e parceiros por meio de leis de incentivo, destinação de recursos ao Fundo da Infância e Adolescência (FIA), emendas parlamentares e doações diretas, com o objetivo de ampliar sua capacidade de atendimento e fortalecer os serviços oferecidos à comunidade.

Card ImagemDebate tratou da responsabilidade social como elemento estratégico para a competitividade, a inovação e o desenvolvimento sustentável. (Foto: Divulgação Fiep)

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